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A representante especial da Organização das Nações Unidas (ONU) junto da União Africana considerou hoje que a situação de insurgência em Moçambique não é avançada o suficiente para justificar intervenção militar internacional ou operações de paz.


Hanna Tetteh, representante especial do secretário-geral da ONU, António Guterres, junto da União Africana (UA), declarou, numa conferência a que a Lusa assistiu, que "é importante reconhecer que em alguns locais a situação ainda não é madura o suficiente para operações de paz" e que "uma resposta puramente militar pode não ser a resposta mais eficaz".

Chefe do gabinete da ONU junto da UA, Hanna Tetteh defendeu que "Moçambique é uma dessas situações" e que "ainda há oportunidade de usar processos políticos para `voltar da beira do abismo` e para abordar algumas das raízes dos problemas e conflitos".

As declarações foram feitas no âmbito de uma videoconferência realizada pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) dos Estados Unidos da América.

"Em Moçambique estamos a falar de atividades de contraterrorismo e não de imposição ou manutenção da paz", explicou a representante especial junto da UA.

Para Hanna Tetteh, a prioridade deve ser colocada em "compreender os desafios na região de Cabo Delgado e estabelecer como apoiar a organização sub-regional SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), que tem demonstrado que quer assumir a liderança neste tema".

O apoio tem de ser dado a nível de "ferramentas políticas para criar soluções dentro das regiões, lidar com alguns deficits que os governos possam ter, como falta de serviços, existência de desigualdades e, claro, fornecer ajuda humanitária", enfatizou a antiga ministra de Negócios Estrangeiros do Gana.

Segundo a responsável da ONU, as diversas organizações têm de convergir ferramentas e estruturas, através de colaborações, para "ser proativas na prevenção [de conflitos], em oposição a gastar dinheiro em operações de paz".

O escritório da ONU em Moçambique considerou que cerca de um milhão de pessoas precisa de ajuda humanitária no país, por diversas razões, como fome severa, que afeta 950 mil pessoas.

A violência armada em Cabo Delgado começou há mais de três anos, mas ganhou uma nova escalada em 24 de março, quando grupos armados atacaram pela primeira vez a vila de Palma, a cerca de seis quilómetros de grandes projetos de gás natural.

Os ataques provocaram dezenas de mortos e obrigaram à fuga de milhares de residentes de Palma, agravando uma crise humanitária que atinge cerca de 700 mil pessoas na província, desde o início do conflito, de acordo com dados das Nações Unidas, e com cerca de 2.500 óbitos desde o início do conflito, segundo contas feitas pela Lusa.