Notícias ao Minuto ⸱ 11d atrás ⸱ Abrir

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que enfrenta um julgamento por corrupção, tem apenas mais algumas horas para reunir todas as forças da direita do país ou chegar a acordo com islamitas para formar o próximo Governo.


Terá de o fazer até às 23h59 locais (21h59 em Lisboa), caso contrário o Presidente de Israel, Reuven Rivlin, concederá o mandato para formar Governo a um outro eleito.

O Likud (direita) de Netanyahu foi o partido mais votado nas eleições legislativas de março, com 30 deputados, e o Presidente encarregou o primeiro-ministro cessante de formar o próximo Governo.

Para o conseguir, Netanyahu deve reunir uma maioria de 61 deputados dos 120 do Knesset (parlamento).

Como o apoio dos seus aliados tradicionais, os ultraortodoxos, não é suficiente, o primeiro-ministro multiplicou os contactos nas últimas semanas para atingir aquele limite.

Cortejou a formação da direita radical Yamina (sete deputados) de Naftali Bennett e a coligação de extrema-direita Sionismo Religioso (seis deputados) de Bezabel Smotrich.

Chegou a propor a Bennett, seu ex-ministro da Defesa e ardente defensor do desenvolvimento dos colonatos, que assumisse primeiro as funções de chefe de Governo no âmbito de um eventual acordo de rotação no poder.

Mas Bennett recusou, lembrando ao primeiro-ministro que precisa de mais apoios.

Juntando os partidos ultraortodoxos, as formações Yamina e Sionismo Religioso, Netanyahu consegue 59 deputados, ainda abaixo da maioria.

Esta poderá ser obtida se conseguir convencer o rebelde Gideon Saar, ex-Likud, que se lhe opõe ferozmente e cuja formação Nova Esperança elegeu seis deputados, ou Mansour Abbas, líder do partido islâmico Raam, que conseguiu quatro.

Mansour não recusou apoiar um Governo de Netanyahu, mesmo sem dele fazer parte, mas neste caso é a extrema-direita que não aceita participar num governo apoiado pelos islâmicos.

A menos que haja algum desenvolvimento de última hora, o mandato de Netanyahu terminará à meia-noite e todos os olhares se viram já para Yair Lapid, o líder do partido Yesh Atid (o segundo mais votado, com 17 deputados).

Lapid apelou na segunda-feira à formação de um futuro Governo "responsável", depois de responsabilizar Netanyahu pela tragédia ocorrida durante uma peregrinação de judeus ortodoxos ao monte Meron (norte), uma debandada que causou 45 mortos na sexta-feira.

"Esta tragédia poderia ter sido evitada", disse Lapid, acusando Netanyahu de ter deixado o complexo Meron "aberto".

O departamento de vigilância do Estado de Israel tinha alertado por duas vezes, em 2008 e 2011, para as deficiências do equipamento no local do monte Meron, que recebeu na quinta-feira várias dezenas de milhares de pessoas para a festa judaica de Lag Baomer.

"Chegou a hora de um novo Governo. (...) Este governo não será perfeito, mas vai assumir as suas responsabilidades e concentrar-se na gestão do país", declarou o centrista Lapid, afirmando poder reunir eleitos de direita, da esquerda e do centro para atingir o limiar dos 61 deputados.

Se conseguir, vira-se uma página da história de Israel com a saída de Benjamin Netanyahu do poder após 12 anos consecutivos, se não, os israelitas arriscam-se a voltar às urnas para as quintas legislativas em pouco mais de dois anos.

Leia Também: Israel abre investigação a debandada em Meron que matou 45 pessoas

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