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Dirigentes da Uni√£o Europeia (UE) elogiaram hoje o esp√≠rito de compromisso da chanceler alem√£, Angela Merkel, durante a cimeira que se realiza em Bruxelas, que deve ser a √ļltima da l√≠der alem√£ ap√≥s 16 anos no poder.


Segundo fonte europeia, os líderes europeus dedicaram também uma ovação de pé à chanceler alemã durante aquela que é a sua 107ª. cimeira europeia.

"Espero que n√£o fique zangada por esta cerim√≥nia na sua √ļltima cimeira", disse Charles Michel, o presidente do Conselho Europeu.

As reuni√Ķes dos 27 sem √āngela Merkel, ser√£o "como Roma sem o Vaticano ou Paris sem a Torre Eiffel", acrescentou Michel, segundo a fonte europeia.

"A sua despedida da cena europeia afeta-nos politicamente, mas tamb√©m nos enche de emo√ß√£o. √Č um monumento", continuou Charles Michel, saudando "a sabedoria" da chanceler, que far√° falta aos europeus "especialmente em tempos dif√≠ceis".

"√Č algu√©m que durante 16 anos marcou realmente a Europa, e ajudou-nos, a todos os 27, a tomar as decis√Ķes certas com muita humanidade em momentos dif√≠ceis", declarou tamb√©m hoje o primeiro-ministro belga, Alexander de Croo.

A saída de Angela Merkel "deixará um grande vazio, porque é alguém que está no cargo há tanto tempo e que teve uma grande influência no desenvolvimento da União Europeia", acrescentou o primeiro-ministro austríaco Alexander Schallenberg.

"Ela foi uma artes√£ da paz dentro da UE. Ela √©, sem d√ļvida, uma grande europeia", insistiu Schallenberg

A chanceler alem√£ √© "uma grande pol√≠tica e tem sido um fator de estabiliza√ß√£o crucial em situa√ß√Ķes muito complicadas", acrescentou o presidente lituano, Gitanas Nauseda, sublinhando o "seu enorme respeito" por Merkel.

O primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, declarou que a saída de Angela Merkel da cena política vai deixar "uma grande lacuna".

"Vou sentir falta dela, a Europa vai sentir falta dela e os luxemburgueses tamb√©m", disse Xavier Bettel em declara√ß√Ķes √† imprensa ao chegar para o segundo dia da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Uni√£o Europeia (UE) em Bruxelas.

O primeiro-ministro luxemburguês, que compartilhou oito anos do seu mandato com a chanceler alemã, disse que "as pessoas não sabem disso, mas Merkel era uma máquina de compromisso".

"Isso significa que muitas vezes, quando não era possível seguir em frente, Merkel apresentava uma proposta e nós alcançávamos um sucesso", continuou Bettel.

"Na maioria das vezes, quando não concordávamos, não conseguíamos chegar a nada, apenas fazíamos prosa", explicou o primeiro-ministro, referindo-se aos textos de conclusão que os líderes europeus acertavam no final de cada cimeira.

"E ainda assim, Merkel conseguia encontrar algo que nos unia para seguir em frente", disse o primeiro-ministro luxemburguês.

Bettel enfatizou o seu relacionamento pessoal com Merkel, pois é uma pessoa que "estima muito", e prometeu trabalhar com o próximo Governo alemão.

A Presidente da Comiss√£o Europeia, Ursula von der Leyen, ex-ministra da Defesa de Angela Merkel, sublinhou recentemente que o esp√≠rito anal√≠tico da doutora em Qu√≠mica foi crucial para desbloquear as por vezes intermin√°veis negocia√ß√Ķes europeias.

E até o antigo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quis prestar uma homenagem à chanceler alemã. Num vídeo partilhado no Twitter por Charles Michel, Obama afirma que "graças a Merkel, o centro resistiu a muitas tempestades".

Nos √ļltimos meses, os l√≠deres da UE multiplicaram homenagens e agradecimentos √† mulher que governa a Alemanha desde 2005, quase tanto tempo quanto o chanceler da Reunifica√ß√£o Alem√£, Helmut Kohl (1982-1998).

Após 16 anos no poder, Merkel prepara-se para deixar o cargo de chanceler alemã.

Os três partidos que estão a negociar a formação da coligação de governo na Alemanha indicaram que pretendem chegar a um acordo até finais de novembro, para que Olaf Scholz [Partido Social Democrata/SPD] se torne chanceler no início de dezembro.

O SPD, o Partido Democr√°tico Liberal (FDP) e os Verdes, com programas pol√≠ticos muito diferentes, lideram as discuss√Ķes desde o in√≠cio de outubro na tentativa de formar uma coliga√ß√£o sem precedentes, uma vez que deixa de fora os conservadores (CDU) de Angela Merkel, que obtiveram os piores resultados da sua hist√≥ria nas elei√ß√Ķes legislativas de 26 de setembro.

A saída de Angela Merkel, de 67 anos, desperta o medo do vazio dentro da UE, perante projetos decisivos para a sua sobrevivência: a reconstrução económica pós-covid-19, mudanças climáticas ou mesmo afirmação do seu papel geopolítico em relação aos Estados Unidos e à China.

Durante o seu discurso, Charles Michel também prestou homenagem hoje ao sueco Stefan Löfven, que deixará em novembro ao cargo de primeiro-ministro, que ocupava desde 2014.

"O senhor marcou os nossos encontros com a sua presença forte e tranquilizadora", disse Michel, saudando o seu compromisso com o "progresso social".

[Notícia atualizada às 13h29]

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