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O fundador do Partido Livre Inkatha (IFP, na sigla em ingl√™s), Mangosuthu Buthelezi, afirmou nunca ter existido uma verdadeira reconcilia√ß√£o com o partido no poder na √Āfrica do Sul, com o qual gostaria ainda de fazer a paz.


"Quando recusei a independ√™ncia do povo Zulu, destru√≠ essa pol√≠tica, por isso √© que iniciaram as negocia√ß√Ķes, porque o maior grupo √©tnico n√£o iria fazer parte do processo", recordou o primeiro-ministro tradicional do Reino amaZulu, em entrevista √† ag√™ncia Lusa, na sede do seu partido, em Ulundi, sobre o processo de reconcilia√ß√£o nacional.

Mangosuthu Buthelezi, que iniciou a sua carreira pol√≠tica no Congresso Nacional Africano (ANC), sublinhou ter sido instado pelo ent√£o chefe de Estado da Z√Ęmbia, Kenneth Kaunda, durante uma visita a Lusaka, a criar uma organiza√ß√£o pol√≠tica na √Āfrica do Sul que fosse "mais representativa dos sul-africanos negros" nas d√©cadas de 1960 e 1970.

"Posteriormente falei com o meu l√≠der, Oliver Tambo [o fundador do ANC], que me disse: 'Por favor, avan√ßa', e foi assim que se criei o IFP, como uma frente do ANC, com base nos mesmos princ√≠pios de n√£o-viol√™ncia e negocia√ß√Ķes, da g√©nese do ANC, em 1912", frisou.

Todavia, a transi√ß√£o pol√≠tica na √Āfrica do Sul, do regime de segrega√ß√£o racial do 'apartheid' para a democracia viria a ser caracterizada por exig√™ncias constitucionais e uma escalada de viol√™ncia entre o ANC e o IFP, liderados respetivamente por Nelson Mandela e Mangosuthu Buthelezi, nas prov√≠ncias do Natal (atual KwaZulu-Natal) e do Transvaal (atual Gauteng), nas negocia√ß√Ķes com o Governo sul-africano de minoria branca.

O IFP, que o Governo de Pret√≥ria reconhecia como sendo representativo da maioria negra no pa√≠s quando legalizou o ANC, amea√ßou tamb√©m boicotar durante o processo negocial as primeiras elei√ß√Ķes multipartid√°rias e democr√°ticas, de 26 a 28 de abril de 1994.

As primeiras elei√ß√Ķes democr√°ticas da √Āfrica do Sul, em 1994 - em que Mangosuthu Buthelezi obteve 10,5% dos votos, integrando o primeiro Governo de Unidade Nacional, liderado pelo Presidente Nelson Mandela, resultaram de quatro anos de negocia√ß√Ķes, iniciadas em 1990 com a legaliza√ß√£o dos movimentos de liberta√ß√£o, nomeadamente o ANC, o Partido Comunista Sul-Africano (SACP) e o Congresso Pan-Africano (PAC) e um acordo negociado pelo ent√£o partido no poder, o Partido Nacionalista (NP).

O líder partidário explicou que há dois anos abordou o Presidente sul-africano e dirigente do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), Cyril Ramaphosa, a quem lamentou que o partido no poder tenha sido injusto consigo, mas justificou que na altura não podia ceder o poder na região ao ANC.

"De forma que, disse-lhe que embora tenha participado no Governo de Unidade Nacional e que o Sr. Mbeki [ent√£o Presidente], em 1999, na verdade me nomeou vice-presidente da √Āfrica do Sul, os l√≠deres do ANC aqui [no KwaZulu-Natal] foram contra, afirmando que se eu fosse vice-presidente, ent√£o que a governa√ß√£o desta prov√≠ncia, que na altura estava sob o controlo da minha organiza√ß√£o, deveria ser entregue ao ANC, o que rejeitei", salientou Buthelezi.

"Não posso pegar de bandeja os votos das pessoas que votaram em mim e entregá-los ao ANC, e de forma que o Sr. Mbeki disse que deveríamos trabalhar juntos, então continuei como ministro do Interior por mais cinco anos, mas nunca houve qualquer reconciliação real entre nós", frisou.

Buthelezi referiu ter sublinhado ao chefe de Estado sul-africano que √© preciso "fechar essa ferida", lamentando que a covid-19 tenha interrompido estas conversa√ß√Ķes porque, disse, "o tempo est√° a passar".

A sa√≠da de Mangosuthu Buthelezi do Governo do ANC, em 1999, afetou a popularidade do segundo maior partido de oposi√ß√£o da maioria negra na √Āfrica do Sul, descendo √† quarta posi√ß√£o nas elei√ß√Ķes gerais desde 2009 (4,6%). Todavia, em 2019, a forma√ß√£o pol√≠tica de Buthelezi aparece mais forte (3,38%) na oposi√ß√£o ao ANC, este afetado por m√ļltiplos esc√Ęndalos de fraude e corrup√ß√£o, e quando o l√≠der do IFP est√° a apostar em "passar a pasta" a uma nova lideran√ßa mais jovem.

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