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Projeções com base nas sondagens e resultados já conhecidos dão vitória ao SPD com 25,8% dos votos contra 24,2% da CDU/CSU, que tem o pior resultado de sempre.


As últimas projeções de voto, numa altura em que são agora 23h30 na Alemanha, apontam para a vitória do SPD nas eleições deste domingo. A pouca distância dos sociais-democratas, a CDU/CSU quer à mesma formar governo. O nome do próximo chanceler vai depender das negociações. Certo é o pior resultado de sempre para os democratas-cristãos e o crescimento da esquerda.

Depois de a sondagem à boca das urnas ter apontado para um empate percentual entre os dois maiores partidos, a projeção da Infratestdimap para a estação de televisão ARD, incorporando já os resultados conhecidos, dá já o SPD em primeiro lugar, com 25,8% dos votos, mais 1,7 pontos percentuais do que os democratas-cristãos (24,1%).

Os verdes consolidam o terceiro lugar com 14,6%, seguindo-se os liberais do FPD com 11,5%. Será entre estes quatro partidos que se desenhará a coligação que governará os destinos da Alemanha e o seu chanceler.

Após serem conhecidos as primeiras projeções e os líderes terem falado nas respetivas sedes de campanha, reuniram-se para um debate transmitido pela ZDF e a ARD, onde todos disseram querer um acordo rápido, de preferência até ao Natal, mas sem que as duas forças políticas que vão decidir para que lado cai a liderança do Governo — Verdes de FPD — tenham tornado claro com quem se pretendem juntar, apesar de cobiçadas por Olaf Scholz (SPD) e Armin Laschet (CDU).

Os moderadores bem insistiram, mas nem Christian Lindner (FDP) nem Annalena Baerbock (Verdes) quiseram abrir o jogo. “Não vou começar as negociações num debate televisivo”, atirou o líder dos liberais. Os dois aproveitaram, isso sim, para deixar clara a sua importância e as suas prioridades nas conversações que se vão seguir.

“Esta noite mostrou de forma muito clara que os eleitores querem os Verdes e a sua política no governo”, sublinhou Baerbock, que antes tinha assumido responsabilidade por o partido não ter alcançado um resultado mais robusto, apesar do significativo crescimento face aos 8,9% conseguidos à quatro anos. A líder dos Verdes voltou a defender a necessidade de um forte programa de investimento público, sem os contrangimentos do travão orçamental, que determina que o défice estrutural não pode ser superior a 0,35% do PIB. E, claro, uma agenda ambiciosa de digitalização e neutralidade carbónica.

Aqueles dois últimos pontos são a única consonância relevante com o FDP. O líder dos liberais não quer aumentos de impostos, nem um alívio nas restrições orçamentais ou um gigantesco pacote de investimento público. Pelo contrário, quer menor carga fiscal e medidas amigas das empresas.

Ficou evidente que o mais difícil será talvez conciliar as posições destes dois partidos, que serão decisivos para haver coligação, já que sociais-democratas e democratas-cristões não querem repetir a fórmula dos últimos anos. Olaf Sholz deixou claro que a mudança só pode acontecer sem a CDU no governo.

Mesmo ficando em segundo, Armin Lashet quer suceder a Angela Merkel. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para formar um governo federal sob a liderança da CDU/CSU”, garantiu no debate. Daí que tenha defendido que uma coligação entre a CDU/CSU, os Verdes e a FDP seria mais natural do que uma combinação destes últimos com o SPD.

Olaf Sholz, atual ministro das Finanças e líder do SPD, afirmou que “os resultados dão um mandato muito claro ao SPD” para formar governo. Mas como o que conta são as negociações, fez questão de salientar o que aproxima os sociais-democartas dos Verdes em matéria ambiental — “as metas são as mesmas, é uma questão de discutir como lá chegar” — e de investimento público.

O candidato tem ainda a seu favor o facto de as sondagens apontarem-no como o preferido para ocupar a cadeira de Angela Merkel. Segundo um inquérito do Forschungsgruppe Wahlen para a estação de televisão ZDF Olaf Scholz é o preferido para suceder a Merkel, com 48% contra 24% de Armin Laschet. O SPD é também o preferido para liderar o próximo governo (55%), muito acima da União (CDU/CSU) com 36%.

Aquilo em que todos os líderes dos quatro partidos mais votados concordam é na necessidade de chegar rapidamente a um acordo. Olaf Sholz garantiu que “vai tudo fazer para que as negociações terminem antes do Natal” e Angela Merkel não tenha de voltar a fazer a mensagem de Ano Novo ao país. Mas com a necessidade de uma coligação a três, o que não acontece desde os primeiros anos a seguir à Segunda Guerra Mundial, tudo pode acontecer.

Em cima da mesa estão sobretudo duas combinações de partidos. A coligação semáforo, que junta SPD, Verdes e FDP, que conseguiria 412 lugares no Bundestag, ou a coligação Jamaica, com os cristãos-democratas no lugar dos sociais democratas, que teria 401 deputados.

Certo só mesmo o pior resultado de sempre da CDU/CSU, com um tombo de 32,9% para 24,1% (segundo a projeção), a subida da esquerda moderada, com o SPD a passar de 20,5% para perto de 26% e os Verdes a saltarem de 8,9% para 14,7%. Os extremos perderam votos, sobretudo o Die Linke, de extrema-esquerda, que caiu de 9,2% para 5%. A AfD desce de 12,6% para 10,4%, mas alarga a sua influência no Leste da Alemanha, onde foi a segunda forla mais votada, vencendo na Saxónica e na Turíndia.

Os resultados finais deverão ser conhecidos às primeiras horas da manhã de segunda-feira.