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A missĂŁo da Organização das NaçÔes Unidas na RepĂșblica Centro-Africana (RCA) deslocou 'capacetes azuis' para o oeste do paĂ­s com o objetivo de impedir grupos armados de "perturbarem as eleiçÔes" presidenciais e legislativas marcadas para 27 de dezembro.


A informação foi avançada pela missĂŁo da ONU (MINUSCA, na sigla em InglĂȘs), em comunicado.

Pelo menos, trĂȘs dos mais importantes grupos armados que ocupam dois terços da RCA ameaçaram atacar o governo do presidente Faustin Archange TouadĂ©ra, se este Ășltimo organizar fraudes, como jĂĄ o acusam, para conseguir um segundo mandato.

A MINUSCA "deslocou na sexta-feira forças para Bossemptélé e Bossembélé, duas localidades da prefeitura de Ombella-M'Poko que foram atacadas por elementos armados do 3R, do MPC e dos anti-Balaka", especificou, no comunicado, o porta-voz da MINUSCA, Vladimir Monteiro.

Segundo fontes humanitårias e da ONU, os grupos armados apoderaram-se de vårias localidades situadas nos eixos que servem a capital, Bangui, a qual estå ameaçada de um bloqueio à distùncia.

"O reforço dos meios da MINUSCA, incluindo aĂ©reos, Ă© uma resposta Ă s violĂȘncias cometidas por estes grupos armados e que tambĂ©m afetaram (as localidades de) YalokĂ© e Bozoum", no oeste, causando dois mortos entre as forças do governo.

As tensÔes estão muito vivas na RCA, onde o governo acusou na quarta-feira o antigo presidente François Bozizé, excluído do escrutínio pelo Tribunal Constitucional, de preparar um "plano de desestabilização do país", ao casso que a oposição receia fraudes massiva nas eleiçÔes.

A RCA tem sido abalada por uma guerra civil, depois de uma coligação de grupos armados de dominante muçulmana, a Séléka, ter derrubado o regime do general François Bozizé em 2013.

Os confrontos entre a Séléka e milícias de dominante cristã e animistas, designadas 'antibalaka' provocaram então milhares de mortos.

Desde 2018, a Guerra evoluiu para um conflito de baixa intensidade, onde os grupos armados disputam o controlo dos recursos do país, particularmente gado e minerais, enquanto abusam com regularidade das populaçÔes civis.

O Movimento PatriĂłtico da RepĂșblica Centro-Africana (MPC, na sigla em FrancĂȘs), o 3R (Regresso, Reclamação, Reabilitação) e dois grupos anti-Balaka publicaram na quinta-feira um comunicado em que se comprometeram a "restabelecer a segurança no conjunto do territĂłrio nacional por todos os meios", incluindo os "meios de coerção, na hipĂłtese de o poder executivo se obstinar em manipular a organização do escrutĂ­nio para fazer um roubo eleitoral".

Na quarta-feira, a MINUSCA, encarregue de garantir a segurança das eleiçÔes, com os 11.500 'capacetes azuis', apelou a François Bozizé para que "trabalhe sinceramente para um regresso verdadeiro da paz (...), mais do que criar alianças com os líderes dos grupos armados para desestabilizar o país".

Integrada na MissĂŁo Multidimensional Integrada das NaçÔes Unidas para a Estabilização da RepĂșblica Centro-Africana (MINUSCA), Portugal tem neste paĂ­s a 7.ÂȘ força nacional destacada, constituĂ­da por 180 militares,

Em setembro, o Estado-Maior-General das Forças Armadas revelou que pelo menos 88 dos 180 militares portugueses tinham sido infetados com o novo coronavĂ­rus, mas esta epidemia acabou por nĂŁo ter qualquer consequĂȘncia grave em termos de saĂșde.

O primeiro-ministro, António Costa, tinha prevista uma deslocação aos destacamentos militares portugueses na RCA, no såbado, que anulou por ter ficado desde quinta-feira em isolamento profilåtico preventivo da covid-19.

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