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As autoridades de saúde portuguesas decidiram recomendar a administração da vacina da AstraZeneca a maiores de 60 anos. Em causa está relação da vacina com a formação de coágulos sanguíneos.


Portugal, à semelhança de vários países europeus, recomenda a administração da vacina da AstraZeneca só a pessoas com mais de 60 anos. A decisão surge depois de o regulador europeu ter admitido que existe uma possível ligação entre a administração desta vacina e a formação de coágulos sanguíneos.

“A Direção-Geral da Saúde recomenda, até estar disponível informação adicional, a administração da vacina da AstraZeneca a pessoas com mais de 60 anos”, disse Graça Freitas, em conferência de imprensa esta quinta-feira. Ao mesmo tempo, a diretora-geral da Saúde sublinha que as pessoas que já foram vacinadas com esta vacina devem sentir-se “tranquilas”, dado que “estas reações adversas que foram notificadas são extremamente raras”.

No entanto, Graça Freitas aponta ainda que “nos sete a 14 dias” após a vacinação as pessoas devem estar atentas aos sintomas, nomeadamente de “dores de cabeças persistentes, hematomas, manchas persistentes ou sintomas semelhantes a um AVC”, tal como o regulador tinha recomendado.

Até agora, foram registados em Portugal dois casos de eventos tromboembólicos associados à administração desta vacina e nenhuma morte. Segundo explicou o presidente do Infarmed, estes casos podem ter alguma relação com os casos reportados noutros países europeus, mas que não são totalmente iguais.

Além disso, Graça Freitas garantiu aindaque vai “ser encontrada uma solução” para as pessoas que já tenham tomado uma dose da vacina da AstraZeneca, lembrando que “daqui a três meses vai chegar informação adicional” sobre esta vacina, e que as autoridades vão “agir em conformidade.” De sublinhar que o intervalo de administração desta vacina é de 12 semanas, cerca de três meses.

Face a esta decisão, o plano de vacinação vai ser ajustado, mas o coordenador da task force aponta que o “impacto vai ser pequeno”. “Vamos adiar uma semana a vacinação do pessoal docente e não docentes, que serão vacinados não neste fim de semana, mas no outro com as vacinas que forem apropriadas”, disse o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo. “Não vai haver um impacto para além disto”, garante, acrescentando que se espera que “no fim de maio, a população com mais de 60 anos esteja praticamente toda vacinada com a primeira dose“.

Num balanço relativamente ao plano de vacinação em Portugal, o vice-almirante Gouveia e Melo destacou que Portugal atingiu esta quinta-feira o patamar de “dois milhões de inoculações”, o que permite que cerca de 15% da população tenha recebido a primeira dose da vacina contra Covid-19 e 6% estejam já totalmente vacinadas. Especificamente relativamente à vacina da AstraZeneca já foram administradas 400 mil doses da AstraZeneca e estão 200 mil de reserva. Para o segundo trimestre, Portugal espera receber 8,8 milhões de vacinas, das quais 1,4 milhão da AstraZeneca.

Esta decisão surge depois de a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter admitido na quarta-feira que há uma possível relação entre a formação de coágulos sanguíneos e a vacina da AstraZeneca. Face a esta conclusão, além de Portugal mais de 10 países já suspenderam a administração desta vacina a determinadas faixas etárias.

(Notícia atualizada)