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A consultora Eurasia considerou hoje que uma eventual intervenção da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral no norte de Moçambique não será suficiente para alterar a evolução do conflito, devido à falta de experiência e de recursos.


"A única mudança potencial do ponto de vista da evolução da perspetiva sobre o conflito no norte de Moçambique é a crescente probabilidade do destacamento de tropas no âmbito de uma força rápida de intervenção da SADC", escrevem os analistas da Eurasia, num comentário à situação no norte do país.

No comentário, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os consultores lembram que os líderes da SADC vão reunir-se esta semana e apontam que "devido às crescentes preocupações nas regiões sobre a insurgência, uma intervenção da SADC parece mais provável a curto prazo".

Maputo vai acolher na quinta-feira a cimeira da defesa e segurança da SADC sobre a violência armada no norte de Moçambique e o apoio no combate aos grupos armados, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicano, um encontro que será dirigido pelo presidente em exercício da organização e chefe de Estado do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, e contará com a presença dos presidentes de Moçambique, África do Sul, Cyril Ramaphosa, Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, Maláui, Lazarus Chakwera, e da Tanzânia, Samia Suluhu.

Os analistas apontam que "as forças da SADC não têm experiência nem recursos para uma ofensiva eficaz, por isso o seu apoio, quando acabar por chegar, não vai provavelmente mudar a trajetória do conflito".

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, "não deverá pedir o apoio de tropas estrangeiras, com o chefe de Estado e o Governo preocupados sobre um aumento do envolvimento de parceiros estrangeiros com tropas no terreno, o que convidaria a um maior escrutínio e iria provavelmente revelar a principal causa da insurgência - descontentamento local proveniente da má governação e da falta de desenvolvimento", consideram os analistas

Além disso, concluem, "as críticas internacionais ao mau registo da Frelimo sobre a governação e o desenvolvimento e a sua correlação com a insurgência daria gás aos críticos de Nyusi no partido".

A violência desencadeada há mais de três anos na província de Cabo Delgado ganhou uma nova escalada há cerca de duas semanas, quando grupos armados atacaram pela primeira vez a vila de Palma, que está a cerca de seis quilómetros dos multimilionários projetos de gás natural.

Os ataques provocaram dezenas de mortos e obrigaram à fuga de milhares de residentes de Palma, agravando uma crise humanitária que atinge cerca de 700 mil pessoas na província, desde o início do conflito, de acordo com dados das Nações Unidas.

O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na segunda-feira o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia, mas as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas reassumiram completamente o controlo da vila, anunciou no domingo o porta-voz do Teatro Operacional Norte, Chongo Vidigal.

Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora haja relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários na zona.