Rtp ⸱ 2mês atrás ⸱ Abrir

O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel defendeu que a aprovação do próximo Orçamento do Estado não compete"ao PSD e não exclui um cenário de eleições antecipadas.


Paulo Rangel considerou que "não compete ao PSD aprovar o orçamento", salientando que o documento atual "é um mau orçamento" e que não representa a matriz do partido, que deve ser muito claro no seu papel de oposição.

"Eu acho que o país não perceberia uma crise política, nem é desejável que entremos, mas o PS tem de negociar com aqueles que são os seus parceiros de coligação, o PCP e o BE", defendeu em entrevista à TVI..

No entanto, questionado se uma eventual crise política e eleições antecipadas em plena disputa interna do PSD não prejudicaria o partido, como defende o atual presidente Rui Rio, Rangel rejeitou este cenário.

"Não há nenhum risco de uma eleição feita no PSD nesta altura e isso não permitir que o partido tenha um candidato forte a legislativas se elas se dessem em início de fevereiro, meados de fevereiro ou até março", defendeu.

Paulo Rangel invocou os precedentes das dissoluções em 2002, 2004/2005 e 2011 para considerar que este calendário não só "não era inédito, como era o normal".

Na passada quinta-feira, o Conselho Nacional do PSD chumbou uma proposta da direção para que o calendário eleitoral interno fosse suspenso até se esclarecer se o Orçamento do Estado é ou não aprovado, por 71 votos contra e 40 a favor, e agendou diretas para 4 de dezembro e congresso para entre 14 e 16 de janeiro.

Rangel admite acordos e coligações com CDS e IL ou governar em minoria

O candidato à liderança do PSD admitiu fazer acordos e até coligações com o CDS-PP e a Iniciativa Liberal com vista a uma maioria absoluta de centro-direita ou governar em minoria, excluindo "partidos radicais" num executivo social-democrata.

Paulo Rangel defendeu que, se for eleito presidente, o PSD vai batalhar “para ter maioria absoluta”, mas assegurou que não estará fechado a acordos ou coligações - “acho que pode chegar a isso” - com o CDS-PP ou com a Iniciativa Liberal.

Questionado se, para chegar ao poder o PSD depender do Chega, Paulo Rangel prefere não formar Governo, o eurodeputado respondeu: “O Governo do PSD nunca será feito com um partido radical, seja de direita, seja de esquerda”, sem nunca referir o nome do partido liderado por André Ventura.

No entanto, excluiu que tal signifique entregar o poder à esquerda.

“Não necessariamente, Portugal já teve governos minoritários de sucesso”, afirmou, defendendo que o centro-direita já teve maiorias absolutas no passado e pode voltar a ambicioná-las, dizendo que o atual presidente do PSD, Rui Rio, “tem alienado o centro-direita e a direita moderada”.