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O diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, considera "um grande privilégio" ir dirigir a atriz Isabelle Huppert, na peça de Tchekhov "O Cerejal", que estreará a 05 de julho, no Festival de Avignon, em França.


"√Č uma sensa√ß√£o de grande privil√©gio, porque estamos a falar n√£o s√≥ de uma atriz extraordin√°ria, mas de uma atriz com um percurso que passa por alguns dos maiores palcos do mundo, espet√°culos feitos por artistas absolutamente marcantes da hist√≥ria do teatro recente, al√©m desse percurso riqu√≠ssimo em teatro ser depois tamb√©m acompanhado de um percurso fenomenal como atriz de cinema", sublinhou Tiago Rodrigues, em declara√ß√Ķes √† ag√™ncia Lusa.

O Festival de Avignon divulgou na quarta-feira que Tiago Rodrigues vai encenar a √ļltima pe√ßa escrita pelo dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904), na sua pr√≥xima edi√ß√£o, a decorrer naquela cidade francesa nos pr√≥ximos dias 05 a 17 de julho, um espet√°culo que ser√° protagonizado por Isabelle Huppert.

A encena√ß√£o da √ļltima pe√ßa escrita pelo autor de "A Gaivota", aos 44 anos - e que Tiago Rodrigues vai encenar com a mesma idade, numa "coincid√™ncia po√©tica", como afirmou - resultou de encontros informais em Lisboa e Paris, entre o diretor art√≠stico do D. Maria II, com Isabelle Huppert, disse o ator, encenador e dramaturgo √† ag√™ncia Lusa.

Resultou também de "uma relação de amizade que foi surgindo e que, a certa altura, se traduziu na vontade de trabalharmos juntos", acrescentou.

A atriz francesa, que já foi galardoada com dois César de Melhor Atriz, nunca tinha representado Tchekhov, embora seja "amante do dramaturgo russo", e Tiago Rodrigues nunca tinha posto em cena qualquer peça do autor de "As Três Irmãs".

A "semente veio a dar flor com este cerejal", que, após a estreia no Festival de Avignon, terá uma versão de sala.

Será essa versão a subir ao palco da sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, em dezembro próximo, dando início a uma digressão europeia da peça, acrescentou Tiago Rodrigues.

Em janeiro de 2022, a pe√ßa estar√° dois meses em cena em Paris, no Th√©√Ętre de l'Od√©on, ap√≥s o que ser√° apresentada em Genebra, Roma e em v√°rias cidades francesas. O espet√°culo ser√° representado tamb√©m em Taiwan e noutros pa√≠ses, numa digress√£o que come√ßa agora a ser preparada, acrescentou Tiago Rodrigues.

Para o autor e encenador, trabalhar com alguém "que se admira imenso e há muito" tempo, representa uma "vontade acrescida de sair da cama e ir direto para a sala de ensaios".

Contudo, e apesar de ir dirigir uma 'estrela' do cinema franc√™s, Tiago Rodrigues diz que, quando rodeada por uma equipa de mais 11 atores e dois m√ļsicos, "Isabelle Huppert √© apenas mais uma atriz".

Isabelle Huppert √© uma "atriz de um enorme profissionalismo, com uma assustadora capacidade de trabalho e uma sensibilidade para a cria√ß√£o teatral absolutamente √ļnicas", frisou.

Quanto à peça, Tiago Rodrigues considera tratar-se de um texto "absolutamente brilhante e muito atual".

"√Č uma obra-prima muito atual nos nossos dias, face √† incerteza de futuro em que todos vivemos na sociedade. Por isso penso que ter√° um grande eco junto do p√ļblico", concluiu.

A Isabelle Huppert, como protagonista, juntam-se as interpreta√ß√Ķes dos portugueses Isabel Abreu, H√©lder Azevedo e da vocalista dos Cl√£, Manuela Azevedo, num elenco que totaliza 11 atores e dois m√ļsicos, e que conta com composi√ß√Ķes de H√©lder Gon√ßalves, tamb√©m dos Cl√£.

Com estreia a 05 de julho, a peça, uma coprodução do Teatro Nacional D. Maria II com o festival francês, será apresentada no Cour d’Honneur do Palais des Papes, um dos espaços históricos mais importantes de Avignon e do Festival.

Em palco nesta encenação de Tiago Rodrigues estarão ainda Adama Diop, Alex Descas, Alison Valence, David Geselson, Gregoire Monsaingeon, Marcel Bozonnet, Nadim Ahmed, Océane Cairaty, Suzanne Aubert e Tom Adjibi.

Manuela Azevedo e H√©lder Gon√ßalves s√£o respons√°veis pela m√ļsica original do espet√°culo.

A criação tem cenografia de Fernando Ribeiro, figurinos de José António Tenente, luz de Nuno Meira e sonoplastia de Pedro Costa.

Isabelle Huppert j√° atuou por diversas vezes em Portugal, nomeadamente em encena√ß√Ķes de Robert Wilson de "Orlando", de Virg√≠nia Woolf (Culturgest, 1995), e "Maria Disse o que Disse", o mon√≥logo de Mary Stuart, rainha dos escoceses, imaginado por Darryl Pinckney e apresentado em 2019 no Festival de Almada (Centro Cultural de Bel√©m).

Em janeiro de 2003, tamb√©m na Culturgest, apresentou "4.48 Psicose‚ÄĚ, de Sarah Kane, com encena√ß√£o de Claude Regy.

Foi nesse ano, poucos meses depois, que Huppert regressou a Lisboa para trabalhar com Lu√≠s Miguel Cintra e o Teatro da Cornuc√≥pia, como protagonista da orat√≥ria "Jeanne d'Arc au Bucher", de Arthur Honnegger e Paul Claudel, apresentada no √Ęmbito da temporada l√≠rica do Teatro Nacional de S√£o Carlos 2002-2003.