Eco ‚łĪ 4 meses atr√°s ‚łĪ Abrir

A 1 de outubro, a luz volta a aumentar 3% no mercado regulado, como aconteceu em julho. A culpa é da escalada de preços no Mibel, que também deve afetar o mercado livre. Já o gás sobe para todos.


Pela segunda vez em 2021, algo nunca visto antes em Portugal, as faturas de eletricidade das 993 mil famílias que permanecem no mercado regulado vão subir mais 3% a partir desta sexta-feira, 1 de outubro. Isto depois de um primeiro aumento de 3% já decretado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e que entrou em vigor a 1 de julho.

Para a maioria dos clientes domésticos do mercado regulado, com potência contratada de 3,45 kVA, a nova atualização será agora de mais 1,05 euros na fatura média mensal. No entanto, para os casais com dois filhos e potência contratada de 6,9 kVA, há que voltar a somar 2,86 euros à conta da luz, tal como já fizeram em julho.

A ERSE justifica esta decisão com a subida continuada dos preços da energia elétrica no mercado grossista de eletricidade ibérico, onde o mês de setembro fechou com o preço médio mensal mais alto de sempre: 156,53 euros por MWh. Entretanto, outubro arranca hoje com um máximo histórico de 216,01 euros por MWh.

Daqui a duas semanas, a 15 de outubro, o regulador apresenta a sua proposta tarif√°ria para 2022, que s√≥ ficar√° fechada a 15 de dezembro. O ministro do Ambiente e da A√ß√£o Clim√°tica, Matos Fernandes, j√° se adiantou e veio anunciar que o pre√ßo da eletricidade n√£o aumentar√° no mercado regulado no pr√≥ximo ano, indo at√© mais longe: ‚ÄúN√£o excluo que, ainda de forma marginal, os pre√ßos possam baixar‚ÄĚ.

Para conseguir que 20% das fam√≠lias portuguesas n√£o tenham um aumento dos pre√ßos da luz no pr√≥ximo ano, o Governo revelou um pacote de medidas no valor total de 815 milh√Ķes de euros. Cabe agora ao regulador fazer as contas.

Quanto ao mercado livre, onde est√° a esmagadora maioria dos consumidores dom√©sticos (80%), o Governo a√≠ n√£o tem poder de interven√ß√£o e n√£o pode comprometer-se com tarifas mais baixas em 2022, mas o ministro lembrou que as ofertas reguladas t√™m sido sempre mais caras. Se este cen√°rio se inverter, os consumidores podem regressar ao mercado regulado ‚Äúnum piscar de olhos‚ÄĚ, frisou o ministro, admitindo tamb√©m ‚Äúconversar com comercializadores, se for necess√°rio‚ÄĚ.

A ERSE admite que a escalada de pre√ßos no Mibel j√° levou muitos comercializadores que operam no mercado livre a fazer uma ‚Äúrevis√£o em alta das condi√ß√Ķes de pre√ßo para novos contratos de fornecimento de eletricidade desde o in√≠cio do ano‚ÄĚ.

No entanto, a EDP mant√©m que ‚Äún√£o vai alterar os pre√ßos para os clientes dom√©sticos ao longo de 2021, quer para os clientes atuais, quer para novos clientes que queiram aderir √† empresa‚ÄĚ. A el√©trica continua a acompanhar com aten√ß√£o a subida dos pre√ßos no mercado grossista e est√° a aguardar pela proposta tarif√°ria da ERSE a 15 de outubro.

Tamb√©m a Galp sublinha que tem vindo a garantir nos √ļltimos meses que o aumento do custo de energia n√£o √© refletido nos clientes dom√©sticos.

Pelo contrário, Endesa e Iberdrola admitiram já rever em alta os valores dos seus tarifários de energia para clientes domésticos no contexto da continuada escalada de preços no mercado grossista ibérico (Mibel), que se agravou em agosto e setembro.

No gás, o cenário já é diferente. Além da subida de 0,3% nos preços do mercado regulado que entra em vigor também esta sexta-feira, 1 de outubro, EDP e Galp já avisaram os seus clientes que também vão ver as faturas aumentar neste mês.

No regulado, o aumento abrange cerca de 243,5 mil consumidores, que permanecem no comercializador de √ļltimo recurso, e representam cerca de 2% do consumo nacional.

De acordo com os cálculos da ERSE, para um casal sem filhos [consumo tipo 138m3/ano], com uma fatura média mensal de 10,90 euros, o aumento será de 0,04 euros. Para um casal com dois filhos [consumo tipo 292m3/ano] e uma fatura média mensal de 20,23 euros a variação será de 0,07 euros por mês.

‚ÄúApesar da redu√ß√£o da tarifa de acesso √†s redes, perspetiva-se uma subida no custo de aprovisionamento do g√°s natural, o que justifica o acr√©scimo nas tarifas transit√≥rias de venda a clientes finais‚ÄĚ, diz a ERSE.

No mercado livre, a EDP já confirmou que vai atualizar os preços do gás a partir de 1 de outubro, em linha com a decisão da ERSE. A atualização será de 14 cêntimos por mês para os casais sem filhos (perfil 1 definido pelo regulador), 6 cêntimos mensais para casais com dois dependentes (perfil 2) e de 19 cêntimos por mês para famílias numerosas (perfil 3, quatro dependentes)

O mesmo disse a Galp, que vai ‚Äúatualizar a 1 de outubro os pre√ßos finais, uma atualiza√ß√£o que decorre nos termos contratualmente previstos e que reflete o aumento do custo da aquisi√ß√£o de g√°s natural, bem como as tarifas de acesso √†s redes aprovada pela ERSE‚ÄĚ. Nesta comercializadora, o impacto mensal ser√° traduzido em ‚Äúacr√©scimos m√©dios entre os 50 e os 84 c√™ntimos nas tipologias de consumo mais representativas‚ÄĚ.