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Um total de 250 mil mulheres, incluindo viúvas do conflito político-militar no centro de Moçambique, vão beneficiar de projetos para gerar rendimentos para melhorar seus meios de subsistência, disse hoje o embaixador da Itália.


A iniciativa, integrada no programa de Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz em Moçambique (Delpaz), hoje lançada, e que vai abranger 500 mil beneficiários das comunidades rurais das províncias de Sofala, Manica e Tete, visa dar "qualidade de vida digna" e eliminar a exclusão social nas zonas devastadas pelo conflito.

"Vamos oferecer a nossa experiência para executar essa componente no projecto Delpaz", frisou o embaixador de Itália em Maputo, Gianni Bardini, que vai desenvolver um projeto agroalimentar virado para mulheres.

"Se a pessoa se sente reintegrada e tem uma expectativa de vida digna, a paz vai ser seguramente conseguida", defendeu Gianni Bardini, insistindo que é preciso garantir condições de desenvolvimento, com emprego para mulheres e jovens, para que a paz seja duradoura.

Por sua vez, o embaixador da União Europeia, António Sánchez-Benedito, que considerou Moçambique como um país prioritário na visão da UE para a estabilidade, disse ser crucial agora "colocar foco na população" afetada pelo conflito, para o seu desenvolvimento, alocando serviços básicos e melhorar a governação local.

"Essa visão integrada da União Europeia para o desenvolvimento é para melhorar condições de vida, sobretudo com um foco nos jovens, mulheres e nas populações mais vulneráveis e desfavorecidas", disse António Sánchez-Benedito.

A União Europeia e o Governo moçambicano lançaram hoje em Gondola, distrito da província de Manica, centro do país, o projeto de Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz (Delpaz), uma iniciativa orçada em 25 milhões de euros e com duração de quatro anos.

O projeto visa "criar condições" para a pacificação, através do financiamento de atividades geradoras de rendimento, melhoria da governação a nível distrital, no âmbito dos apoios às comunidades afetadas pela guerra no centro de Moçambique.

Além da União Europeia, que vai financiar o projeto Delpaz, a iniciativa conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF), da Agência Austríaca de Desenvolvimento e da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento.

A iniciativa faz parte dos apoios da União Europeia à implementação do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, assinado em agosto de 2019 entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo, oposição), Ossufo Momade.

O Acordo de Paz e Reconciliação Nacional prevê, entre outros aspetos, o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) do braço armado da Renamo, tendo já abrangido mais de 2.600 guerrilheiros, de um total 5.000 membros previstos.

O entendimento foi o terceiro entre o governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a Renamo, principal partido de oposição, tendo os três sido assinados na sequência de ciclos de violência armada entre as duas partes, que afetaram principalmente o centro de Moçambique.