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Jorge Coelho, ex-ministro socialista, faleceu esta quarta-feira, 7 de abril. Camaradas, amigos e opositores lembram um político combativo, com grande intuição e perspicácia, que sabia ler o sentimento do cidadão comum.


O ex-dirigente socialista e antigo ministro Jorge Coelho¬†faleceu¬†hoje, na Figueira da Foz, de doen√ßa s√ļbita, quando visitava uma casa na zona tur√≠stica da cidade.

‚ÄúA senhora que estava com ele ligou para o 112 e quando a nossa equipa chegou ao local ele estava em paragem cardiorrespirat√≥ria. Foram feitas manobras de reanima√ß√£o, mas n√£o foi poss√≠vel reverter a situa√ß√£o‚ÄĚ, tendo o √≥bito sido declarado no local, adiantou o comandante¬†Jody Rato, dos Bombeiros Volunt√°rios da Figueira da Foz √† Lusa.

Considerado o ‚Äúhomem da m√°quina‚ÄĚ socialista, Jorge Coelho foi ministro nos dois governos liderados por Ant√≥nio Guterres. Em 1995, assumiu fun√ß√Ķes como Adjunto e na Administra√ß√£o Interna, depois, em 1999, foi ministro de Estado,¬†da Presid√™ncia e do Equipamento Social.

Figura incontornável da política portuguesa, demitiu-se em 2001, quando ocupava a pasta do equipamento social, na sequência da queda da tragédia de Entre-os-Rios, um momento que ficou marcado pela frase: "A culpa não pode morrer solteira".

‚ÄúQuem se mete com o PS leva‚ÄĚ foi¬†outra das frases que¬†marcou o percurso de Jorge Coelho, reconhecido como um pol√≠tico combativo. Disse-a num discurso da campanha socialista, quando respondia √†s acusa√ß√Ķes de Pires de Lima, na altura baston√°rio da Ordem dos Advogados, que acusou o Governo socialista de interfer√™ncia nos tribunais e na justi√ßa.

Jorge Coelho iniciou-se na atividade política pela extrema-esquerda, tendo militado após o 25 de Abril em movimentos como a Organização para a Reconstrução do Partido Comunista, ou pelo Partido Comunista (Reconstruído), que mais tarde deu origem à formação da UDP (União Democrática Popular).

Filiou-se no PS em 1982, √©poca em que se ligou a Murteira Nabo e foi seu chefe de gabinete duas vezes: a primeira no Governo do ‚ÄúBloco Central‚ÄĚ entre 1983 e 1985, a segunda em Macau, entre 1986 e 1991.

A √ļltima incurs√£o pol√≠tica foi em 2004, quando esteve ao lado de Jos√© S√≥crates na campanha para as elei√ß√Ķes que deram aos socialistas a primeiro e √ļnica maioria absoluta at√© hoje, em 2005.

Em 2008 foi convidado para a administração da Mota-Engil, tendo sido presidente da construtora até 2013. Voltou à administração da construtora como Consultor do Conselho Consultivo Estratégico, em 2018, um cargo que ainda ocupava.

Nascido em 17 de julho de 1954, em Mangualde, distrito de Viseu, foi na sua terra Natal que, todavia, se destacou como empres√°rio nos √ļltimos anos.

Na queijaria Vale da Estrela investiu tempo e dinheiro,¬†consumando o compromisso com¬†o desenvolvimento regional.¬†Foi nesse contexto que em 2018 falou com o SAPO24. Mas ‚Äúespecialista em queijo s√≥ a com√™-lo‚ÄĚ, brincou. O seu sentido de humor era conhecido e hoje √© tamb√©m recordado.

Na mesma entrevista, confessou que a pol√≠tica era s√≥ ‚Äúpara matar o v√≠cio. E mais nada‚ÄĚ. Jorge Coelho¬†foi comentador de programas como a ‚ÄúQuadratura do C√≠rculo‚ÄĚ, primeiro na SIC Not√≠cias, depois na TVI24 (onde foi substitu√≠do pela tamb√©m socialista Ana Catarina Mendes em 2020).

O primeiro-ministro e l√≠der do Partido Socialista,¬†Ant√≥nio Costa,¬†recorda¬†"um cidad√£o dedicado ao seu pa√≠s, que serviu com grande dignidade o Governo da Rep√ļblica". Governo esse que "deixou h√° 20 anos, num momento tr√°gico, quando¬†decidiu assumir a responsabilidade pol√≠tica por uma trag√©dia imensa. [Jorge Coelho] procurou continuar a servir o seu pa√≠s no mundo empresarial e¬†atrav√©s do investimento na sua regi√£o". "N√£o era s√≥ um camarada, era um amigo de todos n√≥s, de todas as gera√ß√Ķes do partido socialista. Poucos foram aqueles que conseguiram¬†exprimir¬†t√£o bem a alma dos socialistas: a energia, a for√ßa a capacidade de a√ß√£o nos momentos mais¬†dif√≠ceis, mas sabia tamb√©m ter uma palavra de serenidade e de bom senso nos momentos de maior exalta√ß√£o". Jorge Coelho "foi sempre um fator de unidade entre todos n√≥s [socialistas] e todos o recordaremos como aquele que sempre soube interpretar, com uma intui√ß√£o extraordin√°ria, aquele que era o sentimento do cidad√£o comum. √Č um amigo um camarada que iremos chorar (...), um dos mais queridos de todos n√≥s", concluiu.

A dire√ß√£o do PS decidiu colocar a meia haste as bandeiras do partido na sede nacional, em Lisboa, nas federa√ß√Ķes distritais e concelhias com estandarte devido √† morte do antigo ministro e dirigente socialista.

Ant√≥nio Guterres, secret√°rio-geral das Na√ß√Ķes Unidas,¬†lembra um homem o acompanhou em "momentos decisivos" da sua vida,¬†por quem tem "uma d√≠vida de gratid√£o que jamais poderia pagar". "O Jorge Coelho era a alegria de viver, saber que ele morreu √© algo que n√£o consigo aceitar. Era um homem de dedica√ß√£o √† causa p√ļblica, de ideias, com uma extraordin√°ria capacidade, um pol√≠tico inteligent√≠ssimo. √Č uma grande perda para o pa√≠s e para os amigos, que eram muitos", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa reagiu na SIC a esta "morte inesperada", onde recordou "um amigo" e uma figura "que tinha v√°rias qualidades como governante, como parlamentar, como conselheiro de Estado, como dirigente partid√°rio, como analista pol√≠tico e, depois, de uma forma mais recente, como gestor empresarial". "Com o seu estilo muito pr√≥prio, feito de intui√ß√£o, de compreens√£o r√°pida e at√© antecipa√ß√£o do que eram as correntes de opini√£o p√ļblica, de¬†perspic√°cia¬†anal√≠tica, de esp√≠rito combativo, as vezes pol√©mico, mas tamb√©m de grande afabilidade e de abertura a todos os quadrantes, ele criou la√ßos pessoas que ultrapassavam as barreiras do seu partido e at√© os limites do c√≠rculo muito amplo dos seus amigos de sempre. [Jorge Coelho] teve uma influ√™ncia muito¬†grande em momentos importantes da vida nacional". O Presidente da Rep√ļblica destacou a capacidade de "sem d√ļvida, sem hesita√ß√£o", ter assumido a responsabilidade pol√≠tica sobre a trag√©dia de Entre-os-Rios, algo que "os portugueses n√£o esquecem" e que √© "raro em sociedades democr√°ticas".

Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da Rep√ļblica e ex-l√≠der socialista, disse que recebeu "com choque e muita tristeza", a not√≠cia do falecimento de Jorge Coelho. Lembra "um amigo de h√° longas d√©cadas" e "um grande sportinguista". Destaca ainda o "homem bom e solid√°rio. Foi sempre algu√©m que se bateu por causas, em especial pela democracia e pela igualdade. Foi tamb√©m um sobrevivente, com quem aprendi a enfrentar as adversidades‚ÄĚ.

Ant√≥nio Vitorino,¬†diretor-geral da Organiza√ß√£o Internacional das Migra√ß√Ķes (OIM), manifestou-se ‚Äúprofundamente chocado e devastado‚ÄĚ com a morte do ‚Äúgrande, grande amigo‚ÄĚ Jorge Coelho, ‚Äúum ser humano admir√°vel‚ÄĚ. Era "uma pessoa que, al√©m de todas as qualidades pol√≠ticas que se lhe reconhecem, quer por companheiros quer por advers√°rios, era um admir√°vel ser humano, uma pessoa que era intensa em tudo o que fazia‚ÄĚ, sublinhou em declara√ß√Ķes √† ag√™ncia Lusa. ‚ÄúGenu√≠no, aut√™ntico, convicto, mas ao mesmo tempo uma pessoa de uma enorme afabilidade pessoal e que deu o melhor de si pr√≥prio ao Partido Socialista e √† causa p√ļblica nos v√°rios cargos que desempenhou‚ÄĚ,¬†acrescentou¬†Vitorino.

Ant√≥nio Lobo Xavier, que foi colega de Jorge Coelho no programa Quadratura do C√≠rculo, disse-se "chocado" e "comovido". "Tinha falado com ele por volta das 13h30 e pareceu-me bastante bem, combinamos divers√Ķes entre amigos, estava longe de imaginar que umas horas depois teria acontecido esta trag√©dia. O Jorge Coelho tem uma legi√£o de amigos e eu sou apenas mais um que privou com ele. (...) Ele era o s√≠mbolo de uma pessoa com sensibilidade, toler√Ęncia e respeito pelos outros. Lembro-o como um amigo dedicado, com uma lealdade f√©rrea".

Maria de Bel√©m, em declara√ß√Ķes √† SIC, disse estar "devastada" com a morte do amigo. "Esta √© uma not√≠cia tr√°gica para todos os amigos e fam√≠lia. Jorge Coelho era um amigo excecional, uma pessoa extraordinariamente bem formada, amiga dos seus amigos", disse.

O l√≠der do PSD, Rui Rio, recordou o antigo ministro Jorge Coelho como uma ‚Äúpessoa af√°vel e de excelente trato‚ÄĚ. "Presto-lhe sentida homenagem e envio as minhas condol√™ncias √† sua fam√≠lia e ao Partido Socialista‚ÄĚ, escreveu numa publica√ß√£o na sua conta oficial da rede social Twitter. Tamb√©m o PSD, numa nota de pesar, expressou ‚Äúconsterna√ß√£o‚ÄĚ com a not√≠cia que ‚Äúa todos apanhou de surpresa‚ÄĚ. ‚ÄúFigura marcante do panorama pol√≠tico nacional e do Partido Socialista, Jorge Coelho dedicou grande parte da vida ao servi√ßo p√ļblico, tendo sido ministro Adjunto, ministro da Administra√ß√£o Interna, ministro da Presid√™ncia e do Equipamento Social nos governos de Ant√≥nio Guterres. Posteriormente, a sua carreira passou tamb√©m pelo mundo empresarial‚ÄĚ, recordam os sociais-democratas.

O ministro da Administra√ß√£o Interna,¬†Eduardo Cabrita,¬†destacou a ‚Äúextraordin√°ria dedica√ß√£o ao servi√ßo p√ļblico e √† democracia‚ÄĚ. ‚ÄúFoi com profunda tristeza que tomei conhecimento do falecimento do Dr. Jorge Coelho", um homem que "durante d√©cadas, serviu Portugal e os portugueses, com uma extraordin√°ria dedica√ß√£o ao servi√ßo p√ļblico e √† democracia‚ÄĚ.

O¬†historiador e pol√≠tico Jos√© Pacheco Pereira¬†recorda¬†a amizade que tinha com Jorge Coelho, assim como a ‚Äúgrande capacidade pol√≠tica‚ÄĚ e o ‚Äúcombate pelo interior‚ÄĚ do antigo ministro e ex-dirigente socialista.¬†‚ÄúO Jorge Coelho tinha essa virtude, era uma pessoa am√°vel, um amigo verdadeiro, sem qualquer troca ou esperan√ßa de poder receber benef√≠cios dessas rela√ß√Ķes de amizade‚ÄĚ,¬†disse Jos√© Pacheco Pereira em declara√ß√Ķes √† TVI24. Jorge Coelho e Jos√© Pacheco Pereira foram colegas no programa Quadratura do C√≠rculo.¬†Pacheco Pereira recordou ainda o momento quando criticou Jorge Coelho pela sa√≠da¬†do¬†programa para ‚Äúentrar no mundo dos neg√≥cios na Mota Engil‚ÄĚ. ‚ÄúSempre achei mal e critiquei-o. Custava imenso porque era dif√≠cil criticar uma pessoa amiga. Fiz essa cr√≠tica frontal e ele veio mais tarde a elogiar-me pela critica. Esse momento dif√≠cil aproximou-nos muito‚ÄĚ, salientou. Pacheco Pereira recordou ainda que Jorge Coelho era ‚Äúmuito fiel √† sua terra‚ÄĚ e ‚Äúum defensor do interior do pa√≠s e da sua regi√£o". ‚ÄúInstalou em Mangualde [distrito de Viseu] uma queijaria e fal√°vamos muito sobre queijos. Fez um esfor√ßo grande para criar Era um homem muito genu√≠no‚ÄĚ, acrescentou.

Em comunicado, o Grupo Mota-Engil recordou "um homem da casa e da Fam√≠lia Mota-Engil, amigo comprometido e empenhado no desenvolvimento e sucesso do Grupo, a quem o Grupo tanto deve e aqui lhe deixa, de forma muito sentida, uma profunda e respeitosa homenagem e, j√°, grande saudade. Eram p√ļblicas e conhecidas as suas qualidades como Homem de car√°ter e convic√ß√Ķes e enormes as suas qualidades como profissional de excel√™ncia, l√≠der empresarial, agregador de vontades, e o seu nome e percurso ficar√° para sempre ligado ao nosso Grupo. Amigo, filantropo discreto, socialmente preocupado e comprometido era um exemplo de respons√°vel e empenhada cidadania para todos n√≥s. O Presidente do Conselho de Administra√ß√£o Engo Ant√≥nio Mota e toda a Fam√≠lia Mota, acionista de refer√™ncia do Grupo, bem como os demais Colegas do Conselho de Administra√ß√£o e todos os Colaboradores do Grupo, que tanto lhe queriam e consideravam, associam-se para transmitir √† sua Fam√≠lia as mais sentidas e sinceras condol√™ncias. At√© sempre Jorge".

O dirigente socialista Jo√£o Soares lamentou hoje a morte do ex-ministro, em declara√ß√Ķes √† TVI24, disse ter recebido a not√≠cia ‚Äúcom uma imensa tristeza‚ÄĚ, lembrando Jorge Coelho como ‚Äúuma grande figura do Partido Socialista, um homem de coragem, um homem de grande lealdade, um homem de car√°ter‚ÄĚ. ‚ÄúUm homem que cultivava as boas rela√ß√Ķes com as pessoas, mesmo com os seus advers√°rios pol√≠ticos. Era um homem que aguentava com o maior dos ‚Äėfair-play‚Äô as cr√≠ticas que lhe eram feitas. E era um homem que procurava estar sempre, e deu imensas provas nas circunst√Ęncias √†s vezes mais dif√≠ceis, estar do lado das solu√ß√Ķes e n√£o do lado do agravar dos problemas‚ÄĚ, considerou. O socialista apontou que Jorge Coelho foi ‚Äúsempre fiel √†s suas convic√ß√Ķes de esquerda‚ÄĚ. ‚ÄúUm homem a quem ficamos todos a dever muit√≠ssimo, eu deixo √† sua mulher e √† sua filha o testemunho da minha profunda tristeza e o mais sincero sentimento de pesar‚ÄĚ, aditou Jo√£o Soares, rematando que esta √© ‚Äúuma imensa tristeza para todos os socialistas‚ÄĚ.

Em comunicado, a ministra de Estado e da Presid√™ncia, Mariana Vieira da Silva, ‚Äúlamenta profundamente a morte do ex-ministro Jorge Coelho, apresentando sentidas condol√™ncias √† fam√≠lia e amigos.¬†Na perspetiva da ministra, ‚ÄúJorge Coelho √© uma figura incontorn√°vel da pol√≠tica nacional‚ÄĚ e teve ainda ‚Äúuma carreira ligada igualmente √† administra√ß√£o p√ļblica‚ÄĚ, destacando-se tamb√©m ‚Äúcomo dirigente partid√°rio, analista pol√≠tico e empres√°rio, demonstrando sempre, em todas as esferas da sua vida, grande entusiasmo, enorme dedica√ß√£o e um esp√≠rito combativo √≠mpar‚ÄĚ.

O antigo primeiro-ministro Jos√© S√≥crates lamentou a ‚Äúnot√≠cia tr√°gica‚ÄĚ da morte de Jorge Coelho,¬†recordando "um homem encantador, que fazia amigos facilmente e uma pessoa de uma extrema jovialidade de esp√≠rito‚ÄĚ.¬†Para o antigo primeiro-ministro, Coelho era ‚Äúum pol√≠tico com uma grande intui√ß√£o, capaz de transformar o sentimento que ele intu√≠a no povo em conceitos que podiam ser usados na ret√≥rica pol√≠tica‚ÄĚ. ‚ÄúFoi um bel√≠ssimo companheiro ao longo dos anos e recordo-o com saudade, como um bom amigo‚ÄĚ, acrescentou em declara√ß√Ķes √† ag√™ncia Lusa.

O presidente do PS, Carlos C√©sar, lamentou tamb√©m¬†a ‚Äúterr√≠vel, inesperada e desanimadora not√≠cia‚ÄĚ da morte de Jorge Coelho, elogiando a frontalidade, clareza, arg√ļcia, labor, empreendedorismo e bondade do socialista.¬†‚ÄúFoi, para mim, como para tantos, uma terr√≠vel, inesperada e desanimadora not√≠cia. Fica a faltar mais um amigo. Um amigo, desde que o conheci. Um camarada, nos sucessos e nos insucessos pol√≠ticos e partid√°rios‚ÄĚ, referiu Carlos C√©sar, numa publica√ß√£o na rede social Facebook, na qual partilhou o v√≠deo com a declara√ß√£o do primeiro-ministro, Ant√≥nio Costa, a prop√≥sito da morte de Jorge Coelho.¬†‚ÄúLembro como, em 1996, ele me acompanhou diariamente na campanha que acabou por dar a primeira vit√≥ria regional de sempre nos A√ßores. E, antes como depois, o seu apoio valioso e fraterno. Fazes falta, meu caro amigo. √Ä tua fam√≠lia. Aos teus amigos. A todos n√≥s‚ÄĚ, concluiu.

O dirigente socialista e presidente da C√Ęmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, recordou Jorge Coelho como ‚Äúo socialista mais querido de todos‚ÄĚ e que ‚Äúa todos unia‚ÄĚ.¬†Numa mensagem divulgada nas redes sociais, Medina come√ßa por dizer que ‚Äúescrever sobre a morte de Jorge Coelho hoje √© um choque‚ÄĚ, revelando que ainda na ter√ßa-feira tiveram um encontro ‚Äúde horas a discutir pol√≠tica e a falar sobre a vida‚ÄĚ e hoje continuaram a conversa por mensagem, antes da ‚Äúnot√≠cia tr√°gica‚ÄĚ. O autarca recordou que conheceu Jorge Coelho h√° 20 anos, quando trabalhou com o ent√£o primeiro-ministro Ant√≥nio Guterres.¬†‚ÄúHomem de uma profunda generosidade e entrega, mobilizava todos √† sua volta com a sua alegria, for√ßa e humor. Sempre a interpretar como poucos o sentir dos portugueses. Nos √ļltimos anos encontr√°vamo-nos com regularidade. Fal√°vamos do pa√≠s, de Lisboa e invariavelmente do PS‚ÄĚ, revelou. ‚ÄúHoje perdi um Camarada. E posso dizer que perdi um amigo. Um grande e querido amigo. At√© sempre Jorge Coelho‚ÄĚ, despede-se o autarca.

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, lamentou a morte do antigo ministro, destacando que Jorge Coelho "foi um político de grande relevo na vida do país". "O CDS-PP lamenta profundamente a triste notícia do falecimento de Jorge Coelho e endossa as suas mais sentidas condolências à respetiva família e amigos", refere nota enviada aos jornalistas e assinada pelo presidente partido. "Tinha, pois, uma rara forma de estar na política aberta ao diálogo e ao debate leal, procurando as convergências acima das diferenças. Que Deus o guarde", acrescenta o democrata-cristão.

Vasco Cordeiro, presidente do PS A√ßores, manifestou em nome de toda a estrutura regional, profunda tristeza¬†e lembra Jorge Coelho como ‚Äúum camarada e um amigo generoso, inteligente e solid√°rio‚ÄĚ e "a quem o PS e os A√ßores devem muitas das suas vit√≥rias, um Homem que serviu o Pa√≠s com grande sentido do interesse p√ļblico‚ÄĚ.

O ex-secret√°rio-geral do PS, Ant√≥nio Jos√© Seguro, definiu¬†o antigo dirigente socialista como "um amigo muito querido", com car√°ter "lutador" e entusiasmo "contagiante", com quem partilhou ideais e lutou "lado a lado" por causas.¬†"√Č muito dif√≠cil acreditar que o Jorge Coelho morreu. As palavras atropelam-se neste buraco negro e gelado em que, de repente, ca√≠mos, atravessados pela dor da perda brutal", come√ßa por referir Ant√≥nio Jos√© Seguro na mensagem que enviou √† ag√™ncia Lusa. "Partilh√°mos ideais e lut√°mos lado a lado por tantas causas. O Jorge era um apaixonado pela vida. Saboreava-a como poucos e partilhava-a generosamente com os seus amigos", escreve Ant√≥nio Jos√© Seguro, que desde 2014 est√° afastado da vida pol√≠tica ativa.¬†Para o anterior secret√°rio-geral do PS, Jorge Coelho "era dotado de um car√°ter lutador e de um entusiasmo contagiante que marcou todas as fun√ß√Ķes partid√°rias e publicas que exerceu". "O seu gesto no fat√≠dico mar√ßo de 2001 mostrou publicamente a fibra de que era feito o Jorge Coelho. De repente, tudo √© t√£o pouco. Fazes-nos falta, Jorge", observa Ant√≥nio Jos√© Seguro, depois de fazer alus√£o √† decis√£o de Jorge Coelho se demitir das fun√ß√Ķes de ministro do segundo executivo de Ant√≥nio Guterres, em 2001, na sequ√™ncia da trag√©dia da queda da ponte de Entre-os-Rios.

O PS destacou a a√ß√£o¬†de Jorge Coelho para as vit√≥rias eleitorais nas legislativas de 1995 e 1999, sob a lideran√ßa de Ant√≥nio Guterres, e na maioria absoluta de 2005 com Jos√© S√≥crates.¬†"Foi com particular pesar e aguda tristeza que o PS recebeu a dolorosa not√≠cia do inesperado falecimento do seu camarada Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho", l√™-se na nota oficial de pesar emitida esta noite pelos socialistas. Para o PS, Jorge Coelho "ficar√° para sempre como o homem do cora√ß√£o socialista e como algu√©m que soube de forma exemplar materializar o esp√≠rito e a alma do socialismo". "Para a grande fam√≠lia socialista, fica como o dirigente que, num mar de mudan√ßa, personificava a serenidade, a for√ßa e a capacidade de a√ß√£o e que, simultaneamente, em momentos de divis√£o, era uma √Ęncora de uni√£o", refere a nota de pesar do partido,¬†acrescentando que "a sua partida traz √† sua outra fam√≠lia, a socialista, a dolorosa perda de umas das suas mais s√≥lidas ra√≠zes".

Tamb√©m o¬†Sporting manifestou o seu ‚Äúpesar‚ÄĚ pela morte do ex-governante, ‚Äúenaltecendo e agradecendo os anos de dedica√ß√£o e devo√ß√£o ao clube‚ÄĚ, do qual era s√≥cio desde 1987.¬†O clube verde e branco enviou as suas ‚Äúmais sentidas condol√™ncias‚ÄĚ aos ‚Äúfamiliares e amigos‚ÄĚ do seu s√≥cio n.¬ļ 9.969-0.