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O Governo da Pol√≥nia quer restringir a educa√ß√£o sexual e a defesa p√ļblica das minorias sexuais, quando se cumpre um ano de uma senten√ßa pol√©mica que proibiu o aborto no pa√≠s.


Para atingir esse objetivo, o Parlamento polaco pretende come√ßar a debater na pr√≥xima semana uma reforma promovida pelas mesmas associa√ß√Ķes fundamentalistas cat√≥licas que promoveram a proibi√ß√£o do aborto, anunciada h√° um ano, e cujo procedimento parlamentar √© apoiado pelo Governo.

O ministro da Educa√ß√£o polaco, Przemyslaw Czarnek, j√° prometeu "tornar as escolas mais decentes" e n√£o permitir, por exemplo, men√ß√Ķes a "g√©neros n√£o biol√≥gicos" nos livros did√°ticos.

O ministro defende que se deve incorporar "a visão de vida e os ensinamentos de (o Papa) João Paulo II", bem como convencer as meninas de que "ter uma carreira" antes de ter um filho "é perigoso e não é o que devem fazer", alegando que "elas foram chamadas por Deus".

Com o respaldo pol√≠tico do Governo, tamb√©m uma funda√ß√£o pr√≥vida e a ativista conservadora Kaja Godek prop√Ķem a proibi√ß√£o de reuni√Ķes p√ļblicas e manifesta√ß√Ķes que defendam o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou reivindiquem direitos para essas pessoas, como a ado√ß√£o de crian√ßas ou o reconhecimento da sua uni√£o legal.

A fundação lançou uma petição que atende a uma iniciativa reuniu mais de 100.000 assinaturas e que visa impedir que identidades de género não biológicas sejam aceites ou que seja promovida a atividade sexual de menores de 18 anos.

Perante a oposição de grande parte da sociedade polaca, o Governo pediu ao Tribunal Constitucional que se pronunciasse sobre a matéria, levando-o a, numa interpretação polémica da lei, proibir o aborto, mesmo quando há elevada probabilidade de deterioração grave e irreversível da condição do feto ou do nascimento da criança com uma doença grave ou terminal.

A onda de protestos contra esta iniciativa, que durou mais de tr√™s meses, gerou uma mobiliza√ß√£o civil sem precedentes e acabou por se tornar uma express√£o de resist√™ncia √† pol√≠tica ultraconservadora do Governo, enquanto muitas mulheres procuravam solu√ß√Ķes alternativas para terminar com a gravidez.

De acordo com a organização internacional Aborto Sem Fronteiras, pelo menos 34.000 mulheres polacas abortaram ilegalmente no seu país ou viajaram para o estrangeiro para poder fazê-lo sem sofrer represálias legais.

A ideologia ultraconservadora do Governo polaco coincide com os postulados da fação mais radical da Igreja e, por exemplo, Jaroslaw Kaczynski, líder da coligação que governa desde 2015, acusou os manifestantes de "quererem destruir a Polónia. "

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