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Milhares de pessoas manifestaram-se nesta terça-feira em vĂĄrias localidades da regiĂŁo espanhola da Catalunha, contra a detenção do ‘rapper’ Pablo HasĂ©l, tendo a polĂ­cia registado vĂĄrios incidentes e detido 14 pessoas.


De acordo com a polĂ­cia regional catalĂŁ Mossos d’Esquadra, citada pela agĂȘncia EFE, foram detidas duas pessoas em Barcelona, oito em LĂ©rida e quatro em Vic, localidades da Catalunha onde, com Girona, se registaram distĂșrbios durante as vĂĄrias manifestaçÔes que aconteceram naquela regiĂŁo de Espanha.

Nos incidentes, cinco agentes da polĂ­cia ficaram feridos, trĂȘs dos quais em Barcelona e os restantes em LĂ©rida.

“ResistĂȘncia”, “Pablo, companheiro, estamos ao teu lado” e “Liberdade Pablo Hasel”, foram algumas das palavras mais ouvidas durante as manifestaçÔes, convocadas em protesto contra a detenção do ‘rapper’, esta terça-feira de manhĂŁ em LĂ©rida por ter sido condenado a nove meses de prisĂŁo por glorificação do terrorismo e injĂșrias Ă  monarquia.

Em Lérida, em cuja universidade Pablo Hasél foi detido, cerca de duas mil pessoas, de acordo com a organização e 1.400 segundo as autoridades, iniciaram o protesto na praça da catedral, onde foi lido um manifesto.

Os manifestantes dirigiram-se até à sede do PSC (Partido dos Socialistas da Catalunha) onde foram lançados ovos e outros objetos contra a fachada do edifício. Mais à frente, na Praça Sant Joan, foi atirada tinta para a fachada da sede do PP (Partido Popular).

Depois, vĂĄrias centenas de manifestantes caminharam atĂ© Ă  subdelegação do governo em LĂ©rida, onde se viveram os momentos de maior tensĂŁo, com contentores do lixo deitados ao chĂŁo, alguns deles incendiados, e o arremesso de petardos contra alguns veĂ­culos dos Mossos D’Esquadra.

Em Girona, os manifestantes, que eram cerca de cinco mil, de acordo com as autoridades, reuniram-se na Praça 1 de Outubro e percorreram vårias ruas até à delegação da Generalitat e, depois, até aos tribunais. Aí, foram arremessados os primeiros objetos e artefactos pirotécnicos contra os agentes da polícia.

No final do protesto, um grupo de manifestantes chegou à subdelegação do Governo, onde se iniciaram motins com o lançamento de objetos contra a polícia e onde foi criada uma barreira de contentores.

Em Barcelona, os incidentes ocorreram quando os manifestantes se dirigiram à esquadra do Corpo Nacional de Polícia, onde os Mossos d’Esquadra atiraram balas de borracha a alguns manifestantes que lançavam petardos, pedras e garrafas contra o cordão de agentes, e que tinham montado barricadas com contentores e outros elementos de mobiliário urbano aos quais atearam fogo.

Os manifestantes cortaram a Avenida Diagonal e montaram barricadas na praça da Catalunha e nos Jardins de Gracia, onde destruĂ­ram as montras de vĂĄrias lojas e de agĂȘncias bancĂĄrias.

Além disso, a sucursal de um banco foi atacada e vårias motas queimadas.

A juntar a palavras de ordem como “Liberdade Pablo HasĂ©l” ou “morte ao regime espanhol”, muitos manifestantes aproveitaram para pedir tambĂ©m a libertação dos lĂ­deres independentistas do ‘procĂ©s’ (processo de independĂȘncia da Catalunha).

Segundo os Mossos d’Esquadra, em Vic alguns manifestantes partiram janelas do edifício do tribunal e lançaram pedras contra a polícia.

Em ValĂȘncia, onde se concentraram cerca de 500 pessoas, nĂŁo se registaram incidentes.

Dezenas de agentes da polĂ­cia regional entraram na reitoria da Universidade de LĂ©rida para prender o 'rapper' Pablo Hassel, condenado a nove meses de prisĂŁo por glorificação do terrorismo e injĂșrias Ă  monarquia.

HasĂ©l trancou-se no edifĂ­cio da reitoria da Universidade de LĂ©rida na segunda-feira “para dificultar o mais possĂ­vel a vida Ă  polĂ­cia” antes da sua prisĂŁo iminente, disse Ă  Efe, com o objetivo de tornar pĂșblico o que considera ser um “ataque muito grave” contra a liberdade de expressĂŁo.

Na segunda-feira, a AudiĂȘncia Nacional voltou a rejeitar a suspensĂŁo da execução da pena de prisĂŁo do cantor, lembrando que em 2017 foi condenado por um crime de resistĂȘncia ou desobediĂȘncia Ă  autoridade, e em 2018 por transgressĂŁo.

Em 8 de fevereiro, mais de 200 personalidades, incluindo o realizador Pedro Almodóvar e o ator Javier Bardem, assinaram um manifesto pedindo a libertação do ‘rapper’ e a alteração da lei, divulgado no jornal El País.

“A perseguição a ‘rappers’, autores de ‘twits’, jornalistas, bem como de outros representantes da cultura e da arte, por tentarem exercer o seu direito à liberdade de expressão, converteu-se numa constante”, escreveram.

“O Estado espanhol passou a encabeçar a lista de paĂ­ses que mais represĂĄlias lançou contra artistas pelo conteĂșdo das suas cançÔes. Agora, com a detenção de Pablo HasĂ©l, o Estado espanhol estĂĄ a equiparar-se a paĂ­ses como a Turquia ou Marrocos”, criticaram.

Os factos pelos quais o ‘rapper’ foi condenado remontam a 2014 e 2016, quando publicou uma canção no YouTube e dezenas de mensagens no Twitter, acusando as forças da ordem espanholas de tortura e homicídios.

Numa das mensagens, escreveu, ao lado de uma fotografia de Victoria GĂłmez, membro dos Grupos de ResistĂȘncia Antifascista Primeiro de Outubro (GRAPO), uma organização considerada terrorista: “As manifestaçÔes sĂŁo necessĂĄrias, mas nĂŁo suficientes, apoiemos aqueles que foram mais longe”.

O cantor também acusou o rei emérito Juan Carlos e o filho, Felipe VI, de vårios crimes, incluindo homicídio e desvio de fundos.

Na segunda-feira, o executivo espanhol prometeu “uma reforma” legislativa para que os “excessos verbais cometidos no Ăąmbito de manifestaçÔes artĂ­sticas, culturais ou intelectuais” nĂŁo sejam punidos criminalmente.