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A União Europeia deve dar uma resposta política mais forte na cooperação com países africanos e latino-americanos, defenderam especialistas num encontro do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas.


Essa cooperação será, desde logo, importante em plena pandemia de covid-19, quando países em desenvolvimento aguardam a ajuda da comunidade internacional para apoiar os seus planos de vacinação contra o novo coronavírus, defenderam os participantes num encontro organizado pelo Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL).

"A proposta do Presidente franc√™s (Emmanuel Macron) de transferir 05% do investimento nas vacinas para os pa√≠ses em desenvolvimento √© interessante. Mas n√£o √© suficiente. √Č preciso uma resposta pol√≠tica mais forte", defendeu Carlos Malamud, investigador do Real Instituto Elcano, em Madrid.

Malamud considera que a ideia de soberania estratégica é um conceito inteligente - tal como tem sido desenvolvido pela União Europeia (EU), por oposição ao binómio EUA/China -- e pode ser usado com eficácia em momentos como este que o mundo atravessa, no meio de uma pandemia, para conseguir mais estreitos laços de cooperação.

Na sua interven√ß√£o durante o 10.¬ļ Encontro do IPDAL - sob o t√≠tulo de "Tri√Ęngulo Estrat√©gico: Am√©rica Latina, Europa, √Āfrica", que se realizou hoje por videoconfer√™ncia, Carlos Malamud sugeriu um maior envolvimento da UE nas preocupa√ß√Ķes dos pa√≠ses da Am√©rica Latina, que se confrontam hoje com graves crises econ√≥micas, pol√≠ticas e sociais.

Na mesma linha, na sua intervenção no painel dedicado às respostas diplomáticas aos desafios globais, Mohamed Mouline, diretor do Instituto Real de Estudos Estratégicos, em Marrocos, argumentou em defesa de um alinhamento político da UE com a União Africana, evitando que esta organização tenha de recorrer a acordos isolados com os países europeus, nos planos de cooperação económica e social.

Esse melhor alinhamento poderá, em plena pandemia de covid-19, estimular mecanismos de cooperação sanitária essenciais para evitar o agravamento da crise sanitária no continente africano.

Mouline alertou para o facto de os n√ļmeros oficiais do efeito da pandemia em √Āfrica serem ilus√≥rios, quando revelam pouco mais de 100.000 mortes com covid-19 neste continente.

"Como se ver√°, √Āfrica ser√° uma das regi√Ķes mais afetadas pela pandemia e sem meios eficazes para a combater", explicou o diretor do Instituto Real de Estudos Estrat√©gicos, com sede em Marrocos, um pa√≠s que, explicou, est√° agora a procurar respostas para a crise sanit√°ria de forma isolada e sem sentir o apoio dos aliados europeus.

Mohamed Mouline e Carlos Malamud passaram a mensagem de que a Uni√£o Europeia parece n√£o ter encontrado ainda um rumo est√°vel com os mecanismos de coopera√ß√£o que tem estabelecido com a Am√©rica Latina e com √Āfrica, revelando um d√©fice de efic√°cia na vertente de decis√£o pol√≠tica coordenada entre os 27 pa√≠ses da comunidade.

Para Malamud, essa coordenação política é ainda mais importante como resposta paralela às estratégias das duas grandes potências económicas mundiais (Estados Unidos e China) que entraram numa escalada de competição pelo domínio global no século XXI.

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