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O autor do relat√≥rio da consultora BCG sobre a rela√ß√£o entre √Āfrica e a Europa p√≥s-covid-19 defendeu hoje que este √© o momento certo para acelerar a parceria entre os dois blocos regionais.


"Esta √© a altura certa para acelerar a parceria entre √Āfrica e a Europa", defendeu o diretor das opera√ß√Ķes da consultora Boston Consulting Group em √Āfrica, explicando que ambos os continentes t√™m trabalho a fazer para que isto aconte√ßa.

"A Europa vai ter de repensar a organiza√ß√£o das cadeias de abastecimento, porque percebeu que estava demasiado dependente da China, em particular, e da √Āsia, em geral, e que isso pode ser extremamente perigoso, alertou Patrick Dupoux durante a sua interven√ß√£o no F√≥rum Euro-√Āfrica, que decorre at√© sexta-feira em formato virtual a partir de Cascais.

"A Europa deve aumentar a diversifica√ß√£o das fontes de produ√ß√£o, virando-se mais para √Āfrica, que √© o continente mais pr√≥ximo e com a vantagem de estar no mesmo fuso hor√°rio", argumentou.

Isto, acrescentou, "é uma enorme oportunidade para os africanos valorizarem a sua produção interna, servindo não só a sua própria crescente classe média, mas também o mercado europeu".

√Āfrica √© o mercado natural para a Europa em todos os produtos, "com exce√ß√£o dos recursos naturais, que pela sua abrang√™ncia t√™m uma cadeia de distribui√ß√£o global".

Num relat√≥rio divulgado hoje pela BCG e pelo F√≥rum sobre as rela√ß√Ķes entre os dois continentes, defende-se que a pandemia de covid-19 n√£o afeta os principais motores do crescimento africano e argumentou que a Europa e a √Āfrica devem fazer uma parceria estrat√©gica.

"A pandemia tem-se espalhado no continente africano, como nos outros s√≠tios, e pode abrandar o crescimento econ√≥mico a curto prazo, com os sistemas de sa√ļde a serem esticados e os empres√°rios a sentirem os efeitos, mas este impacto n√£o dever√° minar os motores essenciais do crescimento a longo prazo", l√™-se no documento.

A idade da popula√ß√£o ativa, a segunda maior a seguir √† √Āsia, com "jovens instru√≠dos, talentosos e globalmente conectados, vai criar novas oportunidades, ao mesmo tempo que as principais economias trabalham para tornar os seus ambientes empresariais mais atrativos", l√™-se no relat√≥rio que analisa as rela√ß√Ķes entre a Europa a √Āfrica.

"As 10 maiores economias melhoraram significativamente as pontua√ß√Ķes sobre o estado de direito nos indicadores de governa√ß√£o do Banco Mundial nos √ļltimos 10 anos, melhorando as pontua√ß√Ķes agregadas em 15 pontos percentuais e o 'ranking' sobre a facilidade de fazer neg√≥cio melhorou 11 pontos, em m√©dia", aponta-se no estudo, que defende uma aproxima√ß√£o mutuamente ben√©fica entre os dois continentes.

O F√≥rum Euro-√Āfrica estava inicialmente previsto para o princ√≠pio de julho, mas foi adiado para hoje e sexta-feira, com o programa a incluir uma mensagem do secret√°rio-geral das Na√ß√Ķes Unidas, Ant√≥nio Guterres, e uma interven√ß√£o do antigo presidente da Comiss√£o Europeia Jos√© Manuel Dur√£o Barroso.

O encontro virtual, organizado pelo Conselho da Di√°spora Portuguesa em parceria com a C√Ęmara de Cascais, inclui uma conversa entre os Presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Gana, Nana Akufo-Addo, moderados pelo editor de √Āfrica do Financial Times.

"O F√≥rum ir√° juntar numa plataforma digital os maiores protagonistas da mudan√ßa dos continentes africano e europeu, nomeadamente empres√°rios, ativistas, l√≠deres e decisores p√ļblicos e privados e todos aqueles que t√™m vindo a contribuir para a constru√ß√£o de um di√°logo positivo entre os dois continentes", referiu a organiza√ß√£o.

O F√≥rum vai reunir personalidades dos setores p√ļblico e privado, sociedade civil, empres√°rios, ativistas e cientistas, que v√£o debater cinco desafios ao abrigo do tema "√Ä procura de pontos comuns num mundo p√≥s-covid".

Os cinco pain√©is v√£o abordar as "Perspetivas sobre as rela√ß√Ķes entre a Uni√£o Africana e a Uni√£o Europeia", a "Transi√ß√£o Justa da Matriz Energ√©tica", "Made In Africa - Neg√≥cios Emergentes e em Acelera√ß√£o", "Cultura √Āfrica a alimentar o Mundo", e "Ligando os Desligados".

O Conselho da Di√°spora Portuguesa √© uma organiza√ß√£o privada sem fins lucrativos, com 95 membros em cinco continentes e tem por miss√£o "alavancar o poder da di√°spora, de forma a promover conversas e conex√Ķes globais sobre assuntos de cultura, impacto social, ci√™ncia, neg√≥cios e economia".

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