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O plano da empresa estatal su√≠√ßa passa por desenvolver uma central solar fotovoltaica de grandes dimens√Ķes, com eletrolisadores, em Sines. Galamba j√° foi a Zurique conhecer o projeto.


O Grupo Axpo, maior produtor e distribuidor de eletricidade a partir de fontes renováveis da Suíça, detido pelo Governo helvético, quer ter 10 GW de capacidade instalada na energia solar até ao final desta década. Para isso, está de olhos fixos na Península Ibérica e a avançar já com um projeto de produção de hidrogénio verde em Portugal.

A empresa estatal su√≠√ßa ter√° j√° iniciado conversa√ß√Ķes com parceiros portugueses, e o plano passa por desenvolver uma central solar fotovoltaica de grandes dimens√Ķes, com eletrolisadores, na regi√£o de Sines.

A garantia √© dada por Christoph Sutter, Head of Renewables da Axpo, que est√° presente em Portugal desde 2009 e √© dona da comercializadora Goldenergy, operando tamb√©m na venda de eletricidade a empresas (das PME √† ind√ļstria) e no mercado de contratos de longo prazo de compra e venda de energia (PPA).

Ao ECO/Capital Verde, Sutter revelou que muito recentemente esteve reunido com o secretário de Estado da Energia, João Galamba, para falar sobre os novos planos da Axpo para o hidrogénio em Sines. Do lado português, fontes ligadas ao processo confirmaram também que o encontro teve lugar há cerca de duas semanas nos escritórios da empresa, em Zurique.

No centro desta conversa esteve o projeto da Axpo para a produ√ß√£o de hidrog√©nio verde em Portugal, com o grupo su√≠√ßo a dar exemplos do que acontece no seu pr√≥prio territ√≥rio: onde o g√°s renov√°vel √© utilizado para abastecer cami√Ķes, com benef√≠cios a n√≠vel fiscal para as empresas que descarbonizem as suas frotas de transporte pesado e adotem a utiliza√ß√£o deste g√°s renov√°vel.

‚ÄúEstamos na d√©cada da energia solar fotovoltaica. At√© 2030, esta tem de passar a ser a fonte renov√°vel dominante. A tend√™ncia √© global e a Axpo quer acompanhar. Depois de termos desenvolvido cerca de 300 MW de energia solar em Fran√ßa, estamos agora a olhar para Espanha e It√°lia, para desenvolver o nosso portf√≥lio solar‚ÄĚ, disse Christoph Sutter aos jornalistas portugueses, espanh√≥is e italianos que por estes dias visitaram √† nova ‚Äújoia da coroa‚ÄĚ da Axpo: a central solar Alpin Solar, localizada a 2500 metros de altitude em plenos alpes su√≠√ßos.

‚ÄúTamb√©m estamos a olhar para Portugal, mas de forma diferente. Mais em espec√≠fico para o hidrog√©nio verde, com solar fotovoltaico e eletrolisadores‚ÄĚ, confirmou o head of renewables da Axpo, dizendo que neste momento n√£o pode adiantar mais detalhes sobre o projeto.

Tamb√©m o CEO do Grupo Axpo, Christoph Brand, prefere n√£o revelar ainda se h√° ‚Äúplanos concretos ao virar da esquina‚ÄĚ, mas assegura: ‚ÄúSe houver boas oportunidades para investir em centrais solares fotovoltaicas em Portugal, claro que estaremos l√°. Estamos certamente a tentar construir um pipeline de projetos no pa√≠s. Porque n√£o investir l√°? Por alguma raz√£o temos a Axpo Ib√©ria‚ÄĚ.

‚ÄúAinda n√£o investimos no desenvolvimento de centrais solares, mas o primeiro PPA que fech√°mos na pen√≠nsula Ib√©rica foi precisamente em Portugal, h√° tr√™s anos, mesmo antes de o fazermos em Espanha. √Č um mercado muito interessante para n√≥s, tendo em conta o desenvolvimento das renov√°veis‚Äú, refor√ßou Domenico de Luca, head of trading & sales da Axpo.

Em 2018, a Axpo celebrou o primeiro contrato de compra de Energia (PPA) a longo prazo em Portugal, sem qualquer tipo de ajudas p√ļblicas. Desde ent√£o, j√° celebrou mais tr√™s PPA que permitiram a constru√ß√£o de quatro centrais fotovoltaicas, com uma pot√™ncia instalada de mais de 70 MWp.

O interesse da empresa no hidrog√©nio portugu√™s tamb√©m foi repetido algumas vezes este ano pelo CEO da Goldenergy, Miguel Checa. Numa entrevista recente, ao Jornal de Neg√≥cios, o respons√°vel garantiu que para a Axpo ‚Äúo hidrog√©nio em Portugal √© uma hip√≥tese‚ÄĚ.

‚ÄúPortugal e Espanha s√£o tipicamente pa√≠ses com as condi√ß√Ķes prop√≠cias ou necess√°rias para o desenvolvimento de hidrog√©nio, e porque n√£o? N√£o existe nada fechado, mas Portugal e Espanha, dadas as condi√ß√Ķes solares, t√™m potencial‚ÄĚ, disse Miguel Checa. Um cen√°rio que agora se altera, com a Axpo a avan√ßar com conversa√ß√Ķes com o Governo portugu√™s e tamb√©m com parceiros nacionais para tentar entrar no fil√£o do hidrog√©nio nacional.

O Grupo marca presen√ßa em 31 pa√≠ses (na Europa, √Āsia e nos EUA) e em 40 mercados do mundo, com 4,4 GW de produ√ß√£o renov√°vel na Su√≠√ßa (opera mais de 100 centrais, sobretudo hidroel√©tricas, mas tamb√©m e√≥licas, solares e de biomassa), 377 MW em Fran√ßa, 195 MW na Alemanha, 66 MW em It√°lia e 15 MW em Espanha.

Sem grande margem para aumentar a capacidade de gerar energia limpa na Su√≠√ßa, a empresa quer crescer fora de portas, sobretudo no e√≥lico e solar. Aos jornalistas do sul da Europa, o CEO do Grupo Axpo, Christoph Brand, fala mesmo numa ‚Äúexpans√£o ambiciosa nos mercados onde seja economicamente atrativo e vi√°vel‚ÄĚ e na ‚Äúaposta em tecnologias de armazenamento (baterias) e hidrog√©nio verde‚ÄĚ.

As metas até 2030 passam pela construção de 10 GW de capacidade solar a nível internacional, chegar aos 200 MW de solar fotovoltaico na Suíça, ter um adicional de energia eólica onshore de 3 GW e multiplicar por quatro o volume dos PPA negociados.

‚ÄúN√£o esperamos mais crescimento na Su√≠√ßa. O crescimento vir√° do desenvolvimento das energias renov√°veis noutros pa√≠ses europeus. O nosso modelo de neg√≥cios n√£o √© construir e manter centrais el√©tricas, mas sim desenvolver e vender os projetos, mantendo apenas alguns ou ent√£o posi√ß√Ķes minorit√°rias‚ÄĚ, disse Brand numa confer√™ncia de imprensa na sede da Axpo, em Baden.

Em 2015 a empresa comprou a alemã Volkswind, que detém e opera 130 turbinas eólicas com um total de 300 MW e tem um pipeline de projetos com aproximadamente 4 GW, e em 2019 adquiriu também a francesa Urbasolar, com uma capacidade total de 373 MW e um pipeline de 1 GW.

‚ÄúAquisi√ß√Ķes, PPA, projetos e√≥licos e solares. Tudo est√° em cima da mesa em mercados como Espanha e Portugal. A nossa estrat√©gia passa por um crescimento org√Ęnico. Podemos tamb√©m ter interesse em adquirir projetos individuais, dependendo da fase de desenvolvimento em que estejam, ou at√© comprar outras empresas. N√£o podemos excluir essa hip√≥tese, mas n√£o estamos desesperados para o fazer‚ÄĚ, esclareceu ainda o CEO.

A Axpo reconhece a falta de ambi√ß√£o da empresa para as renov√°veis no pr√≥prio territ√≥rio. ‚ÄúE porqu√™? Para j√° porque n√£o conseguimos desenvolver uma central solar de 50 hectares no pa√≠s, devido √† disponibilidade limitada de terrenos dispon√≠veis e aos elevados pre√ßos de instala√ß√£o‚ÄĚ, esclarece o respons√°vel.

Al√©m disso, diz, o pa√≠s est√° ‚Äúmuito atrasado no que diz respeito √†s renov√°veis [e√≥lica e solar]‚ÄĚ, √† exce√ß√£o da hidroel√©trica, sobretudo devido √† falta de incentivos financeiros e tarifas garantidas.

‚ÄúOutros pa√≠ses europeus j√° tiveram v√°rios ciclos de tarifas garantidas para desenvolver as renov√°veis, j√° tiveram leil√Ķes, e agora est√£o a afastar-se de tudo isso. Mas na Su√≠√ßa ainda bem sequer come√ß√°mos com os apoios. A produ√ß√£o de eletricidade a partir do sol e do vento no pa√≠s √© quase irrelevante. E isso √© um problema, porque as centrais nucleares que ainda existem v√£o fechar e depois ficamos sem alternativas‚ÄĚ, refere Christoph Brand.

As estimativas apontam para um aumento da procura de energia el√©trica na Su√≠√ßa, dos atuais 60 TWh para 80 TWh em 2050. ‚ÄúCom o fecho das centrais solares em breve vamos ficar com um d√©fice de 40 TWh. E esta mensagem n√£o passou para os pol√≠ticos su√≠√ßos‚ÄĚ, remata o CEO.

(A jornalista viajou para a Suíça a convite do Grupo Axpo)