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Uma nova variante do coronav√≠rus que causa a covid-19 foi detetada na √Āfrica do Sul, o pa√≠s africano oficialmente mais afetado pela pandemia e que est√° a sofrer um novo aumento de infe√ß√Ķes.


‚ÄúInfelizmente, detet√°mos uma nova variante que √© motivo de preocupa√ß√£o na √Āfrica do Sul‚ÄĚ, disse o virologista Tulio de Oliveira, numa confer√™ncia de imprensa online.

A variante B.1.1.529 tem um n√ļmero ‚Äúextremamente elevado‚ÄĚ de muta√ß√Ķes, de acordo com cientistas sul-africanos que j√° tinham detetado a variante Beta, contagiosa.

Nesta fase, os cientistas não têm a certeza da eficácia das vacinas anti-covid-19 contra esta nova forma do vírus.

O aparecimento desta variante √© provavelmente a raz√£o do aumento ‚Äúexponencial‚ÄĚ das infe√ß√Ķes nas √ļltimas semanas, segundo o ministro da Sa√ļde, Joe Phaahla, que participou na confer√™ncia de imprensa.

Outros casos foram relatados no vizinho Botsuana e em Hong Kong, numa pessoa que regressava de uma viagem √† √Āfrica do Sul.

A √Āfrica do Sul, que teme uma nova vaga da pandemia at√© ao final do ano, √© oficialmente o pa√≠s mais afetada pela pandemia do continente, com mais de 2,9 milh√Ķes de casos e mais de 89.600 mortes.

Reino Unido proíbe voos de seis países africanos com receio da nova variante

O Reino Unido vai adicionar seis pa√≠ses africanos √† 'lista vermelha' da covid-19, proibindo temporariamente os voos, devido¬†ao risco associado √† nova variante detetada na √Āfrica do Sul e considerada a "pior at√© agora", foi hoje divulgado.

O secret√°rio da Sa√ļde, Sajid Javid, divulgou, atrav√©s da rede social Twitter, que a Ag√™ncia de Seguran√ßa de Sa√ļde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em ingl√™s) est√° ‚Äúa investigar a nova variante‚ÄĚ e que ‚Äús√£o necess√°rios mais dados‚ÄĚ, mas que neste momento est√£o a ser tomadas ‚Äúprecau√ß√Ķes‚ÄĚ.

‚ÄúA partir do meio-dia de amanh√£ [sexta-feira], seis pa√≠ses africanos ser√£o adicionados √† ‚Äėlista vermelha‚Äô, os voos ser√£o temporariamente proibidos e os viajantes do Reino Unido dever√£o ficar em quarentena‚ÄĚ, pode ler-se.

Os pa√≠ses a integrarem a ‚Äėlista vermelha‚Äô s√£o a √Āfrica do Sul, Nam√≠bia, Lesoto, Botswana, Eswatini e Zimb√°bue.

Sajid Javid alertou que a nova variante detetada na √Āfrica do Sul ‚Äúpode ser mais transmiss√≠vel que a Delta‚ÄĚ e acrescentou que ‚Äúas vacinas atualmente no mercado podem ser menos eficazes‚ÄĚ.

Segundo especialistas, esta variante √© ‚Äúa pior identificada at√© agora‚ÄĚ.

O virologista do Imperial College London, Tom Peacock, definiu as muta√ß√Ķes como ‚Äúverdadeiramente terr√≠veis‚ÄĚ, mas salientou que os casos ainda s√£o poucos.

Segundo noticia a BBC, ainda n√£o foi confirmado nenhum caso desta nova variante no Reino Unido.

E h√° apenas 59 casos confirmados at√© agora, identificados na √Āfrica do Sul, Hong Kong e Botswana.

OMS foi alertada para nova variante

A Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS) foi alertada para a ‚Äúocorr√™ncia de uma nova variante de covid-19‚ÄĚ na √Āfrica do Sul e Botsuana, com ‚Äúelevado n√ļmero de muta√ß√Ķes‚ÄĚ, anunciou hoje a diretora da OMS para √Āfrica, Matshidiso Moeti.

‚ÄúFomos alertados ontem (quarta-feira) para a ocorr√™ncia de uma nova variante de covid-19, que a OMS classifica como variante em monitoriza√ß√£o, a B11.529, acerca da qual precisamos de obter mais informa√ß√£o‚ÄĚ, indicou a respons√°vel na confer√™ncia de imprensa semanal da organiza√ß√£o atrav√©s da internet.

Moeti destacou que ‚Äú√© importante saber at√© que ponto esta variante se encontra em circula√ß√£o na √Āfrica do Sul e no Botsuana‚ÄĚ e que a organiza√ß√£o est√° igualmente muito atenta ao que se conseguir saber sobre as ‚Äúcaracter√≠sticas deste v√≠rus‚ÄĚ, que est√° agora no centro das preocupa√ß√Ķes dos laborat√≥rios de an√°lise e investiga√ß√£o dos daqueles pa√≠ses.

‚ÄúH√° uma preocupa√ß√£o de que apresenta um elevado n√ļmero de muta√ß√Ķes na prote√≠na ‚Äėspike‚Äô (usada pelo coronav√≠rus para entrar nas c√©lulas), que poder√° ter implica√ß√£o no seu grau de infecciosidade‚ÄĚ, acentuou Moeti.

‚ÄúIsto significa que todas as medidas colocadas no terreno t√™m de ser refor√ßadas, incluindo a acelera√ß√£o da vacina√ß√£o, em particular das popula√ß√Ķes mais vulner√°veis‚ÄĚ, rematou.

A diretora da OMS afirmou que o n√ļmero de novos casos de infe√ß√£o se tem mantido relativamente est√°vel nas √ļltimas duas semanas, mas ‚Äú√Āfrica tem que manter o n√≠vel de alerta, √† medida que vemos o aumento dos casos na Europa‚ÄĚ.

‚ÄúVamos voltar a entrar num per√≠odo de maior desloca√ß√£o da popula√ß√£o com as festas do Natal e fim do ano, que originou um aumento de casos de infe√ß√£o em dezembro √ļltimo‚ÄĚ, recordou.

Por outro lado, chamou a aten√ß√£o, ‚Äúestamos j√° a assistir a um aumento de novos casos na √Āfrica Austral, com um aumento de 48% de novos casos de infe√ß√£o na √ļltima semana, em compara√ß√£o com a semana anterior‚ÄĚ.

Esta tend√™ncia sucede a um per√≠odo de 18 semanas de decl√≠nio sustentado de novos casos, com uma ligeira curva ascende apenas na √Āfrica do Sul.

‚ÄúSabemos que a vacina √© a nossa melhor prote√ß√£o, mas enquanto muitos pa√≠ses desenvolvidos apresentam taxas de vacina√ß√£o na ordem dos 60%, apenas pouco mais de 7% da popula√ß√£o africana se encontra com a vacina√ß√£o completa, apesar do aumento recente da rece√ß√£o de vacinas pelo continente‚ÄĚ, voltou a sublinhar a respons√°vel.

A confer√™ncia de imprensa desta semana teve como foco o estado de vacina√ß√£o entre os profissionais de sa√ļde no continente, a grande maioria dos quais n√£o se encontra vacinada, estando, por conseguinte, exposta √† infe√ß√£o severa de covid-19. ‚ÄúIsto coloca em causa n√£o apenas a sa√ļde destes funcion√°rios como dos pacientes ao seu cuidado‚ÄĚ, sublinhou Moeti.

Os dados da OMS, com base em informa√ß√£o recolhida em 25 pa√≠ses africanos, apontam para que apenas pouco mais de 1 em 4 funcion√°rios de sa√ļde (27%) est√£o totalmente protegidos. Este n√ļmero compara com uma taxa de prote√ß√£o acima dos 80% no caso dos funcion√°rios de sa√ļde em pa√≠ses com economias mais desenvolvidas, ilustrou a diretora regional da OMS.

‚Äú√Ä medida que o continente ultrapassa os constrangimentos no acesso √†s vacinas, √© crucial que estes problemas sejam solucionados‚ÄĚ, sublinhou.

O mau registo na vacina√ß√£o dos funcion√°rios de sa√ļde √© parcialmente atribu√≠do ao mau funcionamento dos sistemas, em especial nas √°reas rurais.

‚ÄúA desconfian√ßa em rela√ß√£o √†s vacinas √© tamb√©m um desafio a ultrapassar. Estudos recentes conclu√≠ram que apenas 40% dos funcion√°rios de sa√ļde tinham a inten√ß√£o de ser vacinados no Gana, e menos de 50% na Eti√≥pia‚ÄĚ, exemplificou Matshidiso Moeti.

A preocupa√ß√£o sobre a seguran√ßa das vacinas e sobre os efeitos secund√°rios foram identificadas como as principais raz√Ķes de hesita√ß√£o.

(Notícia atualizada às 23h57)