Notícias ao Minuto ⸱ 11 meses atrás ⸱ Abrir

A cadeia espanhola de supermercados DIA, dona do Minipreço, anunciou hoje a assinatura de vários acordos, incluindo uma injeção de 500 milhões de euros pela LetterOne, o seu maior acionista, e o adiamento do vencimento dos seus maiores empréstimos.


Segundo informação enviada à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) espanhola, a empresa destaca que o acordo para implementar uma estrutura de capital e financeira a longo prazo "foi alcançado com 100% dos credores sindicados e foi apoiado pelo acionista de referência LetterOne".

O grupo DIA sublinha ainda a redução de 40% do seu endividamento, a eliminação do risco de refinanciamento e sem vencimentos de dívida significativos nos próximos cinco anos.

A LetterOne - que detém 76% das ações e é controlada pelo magnata russo Mikhail Fridman -- irá converter 500 milhões de euros de dívida em fundos próprios.

A operação, que exigirá a realização de uma assembleia de acionistas para que seja aprovada, e que reforçaria o peso de Fridman no capital, deverá estar concluída em abril de 2021.

Por outro lado, os credores sindicados irão adiar o vencimento do empréstimo de 902 milhões de euros feito em março de 2023 para dezembro de 2025.

As conversações realizadas com os bancos credores vão permitir à cadeia de supermercados não enfrentar qualquer maturidade significativa até 2025, de acordo com os seus cálculos.

Até lá, a empresa só tem de enfrentar o "reembolso antecipado" de 35 milhões dos créditos concedidos pelos credores sindicalizados, e os restantes 36 milhões serão pagos em junho de 2022.

"Este acordo transformador alinha todos os grupos de interesses financeiros chave para o DIA e proporciona ao grupo uma base de capital sólida e estável que apoia a prossecução com êxito da nossa transformação de negócio", disse o presidente executivo do grupo DIA, Stephan DuCharme.

O responsável da empresa - que opera em Espanha, Portugal, Brasil e Argentina com uma rede de 6.200 lojas - acrescentou que com esta nova estrutura de capital pretende "acelerar a segunda fase do plano de negócios", para reforçar a linha de crescimento das vendas já seguida em 2020.

A cadeia espanhola de supermercados teve uma perda de 245,9 milhões de euros de janeiro a setembro de 2020, uma redução de 51,3% em relação ao ano passado.

O grupo aumentou as suas vendas líquidas em 2,2%, para 5.194,5 milhões de euros, nos primeiros nove meses de 2020, com os estabelecimentos localizados em Espanha a subirem as suas vendas em 4,9%, tendo o maior crescimento sido registado na Argentina, (17,3%).

Do ponto de vista da empresa, destaca-se uma melhoria significativa do EBITDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que no caso de Espanha foi de 73,9 milhões de euros até setembro.

A empresa encontrava-se num processo de dissolução por falência técnica desde finais de 2018 quando o milionário russo, Mikhail Fridman, tomou o controlo maioritário do grupo no início de 2019 e iniciou um processo de recuperação.