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O banco polaco do BCP antecipa um resultado líquido negativo no primeiro trimestre de 2021, por causa de provisões adicionais no valor de cerca de 112,4 milhões de euros.


O Bank Millennium, o banco polaco detido a 50,1% pelo BCP, espera ter um resultado líquido negativo, no primeiro trimestre de 2021, apesar do seu “sólido desempenho operacional”. Isto por causa de o Conselho de Administração Executivo ter decidido constituir nas contas de janeiro a março provisões adicionais de 512 milhões de zlotis (cerca de 112,4 milhões de euros) “para riscos legais relacionados com empréstimos hipotecários em moeda estrangeira”.

De acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Conselho de Administração Executivo do Bank Millennium decidiu constituir, nas contas do primeiro trimestre de 2021, provisões no valor de cerca de 112,4 milhões de euros, ou seja, um montante superior às constituídas no quarto trimestre de 2020. Tal reflete, explica o banco, a “continuação da tendência negativa nas decisões judiciais, a entrada de novos processos judiciais e as alterações de metodologia de avaliação de risco daí resultantes”.

Face à constituição destas provisões adicionais, o Bank Millennium espera agora “um resultado líquido negativo”, relativamente ao primeiro trimestre de 2021, apesar do “sólido desempenho operacional”. O banco indica que a 11 de maio serão divulgadas informações adicionais sobre os riscos legais e os resultados do período entre janeiro e março deste ano.

O Millennium Bank não concede créditos em moeda estrangeira desde 2008, mas ainda detém uma carteira destes empréstimos no valor de cerca de três mil milhões de euros. Em 2020, o banco polaco constituiu provisões de 677 milhões de zlotis (cerca 150 milhões de euros) relacionadas com riscos legais associados à carteira de créditos hipotecários concedidos em moeda estrangeira, o que veio a penalizar os resultados da instituição, tal como se antecipa agora no que diz respeito aos números do primeiro trimestre.

Em causa estão, sobretudo, empréstimos para a compra de habitação em francos suíços concedidos há mais de uma década. Estes créditos permitiram às famílias tirarem partido do fator cambial para disporem de melhores condições financeiras nos contratos. A valorização da moeda helvética, no mercado cambial, fez, contudo, que muitos destes clientes vissem os seus créditos agravarem-se para níveis elevados.

(Notícia atualizada às 21h51)