Eco ⸱ 14d atrás ⸱ Abrir

O grupo alemão de seguros averbou queda anual de 13,4% no resultado anual não Vida, enquanto os ramos Vida e Saúde quebraram 7,4%. Impacto da pandemia agravou prejuízo na subsidiária corporate (AGCS).


A Allianz SE, seguradora que disputa com a AXA a liderança europeia em volume de prémios, encerrou o exercício de 2020 com 140,5 mil milhões de euros de receita anual, inferior em 1,3% face ao apurado em 2019.

O resultado operacional (ebit) do Allianz Group diminuiu 9,3% face ao ano anterior, totalizando 10,75 mil milhões de euros, com o efeito financeiro gerado pela pandemia (Covid-19) estimado em 1,3 mil milhões de euros negativos. Apurando resultado líquido atribuível de 6,8 mil milhões de euros, o lucro de 2020 evidenciou declínio de 14,1% relativamente ao alcançado em 2019. O indicador de capitalização do grupo – sem considerar aplicação das regras de transição Solvência II -, ficou calculado em 207%, contra 212% no final do exercício precedente. Aplicando as regras de transição Solvência II para o cálculo das provisões técnicas, o rácio superou 240%.

Por segmentos de negócio, os seguros P&C (ramo não Vida), a receita total ascendeu a 59,4 mil milhões de euros (-0,4% face a 2019), com o resultado operacional a descer 13,4%, para os 4,37 mil milhões de euros. As perdas relacionadas com a Covid-19 penalizaram o desempenho, causando quebra de 4,8% no volume bruto de prémios. As subsidiárias Allianz Partners, Euler Hermes e a operação em Itália explicam o declínio no resultado do segmento P&C (Propriedade e Danos), detalha a seguradora germânica indicando também que o rácio combinado melhorou 0,8 pontos percentuais, para 96,3% no termo de 2020.

Nos ramos Vida e Saúde, onde o resultado operacional ascendeu 4,35 mil milhões de euros, em quebra relativa de 7,4% face a 2019, em parte penalizado pelo desinvestimento na Allianz Popular (Espanha). A receita total Vida e Saúde decresceu 3,1%, para 74 mil milhões de euros, enquanto o valor de novo negócio (Vida e Saúde) diminuiu 19,6%, para 1,74 mil milhões de euros, refletindo o impacto das “restrições decorrentes da pandemia e com a Alemanha e os EUA a destacarem-se no decréscimo os volumes de prémios”. No entanto, a margem de novo negócio subiu de -0,4% em 2019, para 3,2% em 2020, ressalva a instituição.

Por fim, a área de gestão de ativos fechou o exercício a contribuir com 2,85 mil milhões de euros (+5,5% em variação anual) para a conta do resultado operacional, beneficiando de incremento de 2,6%, para 7,6 mil milhões de euros de receita.

AGCS cresce 2,3% em prémios; Covid-19 acentua prejuízo

A Allianz Global Corporate Solutions (AGCS), subsidiária do grupo alemão no negócio de grandes riscos e soluções de seguro para grandes empresas, contabilizou 9,31 mil milhões de euros em volume bruto de prémios, mais 2,3% face ao valor de 2019, beneficiando do crescimento da produção em Capital Solutions e de uma subida de 24% no tarifário de toda a carteira da AGCS, em especial nas linhas financeiras, propriedade e aviação, que lideraram o incremento de preços.

O rácio combinado foi calculado em 115%, deteriorando face aos 112,3% do final de 2019 e a refletir peso das reclamações de sinistro relacionadas com a Covid-19, por um montante de 521 milhões de euros e de um reforço de 382 milhões de euros nas reservas para cobrir o aumento de encargos com Responsabilidade Civil, em particular nos EUA. Excluindo o efeito dos dois elementos, o rácio combinado teria sido de 98,4%, explica a AGCS em comunicado.

A empresa encerrou o exercício com resultado operacional negativo de 482 milhões de euros, agravando as perdas de 2019 em 198 milhões, por causa de “menor resultado na atividade de subscrição e declínio nas receitas de investimento”, tudo em consequência da pandemia. Sem o efeito Covid-19, a companhia teria reportado lucro operacional de 86 milhões de euros, nota a seguradora.

Os números anunciados pela Allianz são preliminares (o relatório anual completo está previsto para 5 de março) e o relato da AGCS SE, subsidiária da matriz alemã, engloba apenas a operação na Alemanha, no resto da Europa e na Ásia. Outras entidades de risco global e especialidades, distribuídas pelos EUA, Brasil, Japão e África do Sul não integram o relato divulgado pela AGCS SE.