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A consistência e consenso bipartidário nos Estados Unidos sobre a liderança que devem ter no mundo e no financiamento de forças de paz das Nações Unidas são fundamentais para a sustentabilidade das operações, consideraram hoje especialistas internacionais.


Vários especialistas e diplomatas consideraram hoje, numa conferência do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), que a contribuição financeira dos EUA para operações das Nações Unidas é importante para a execução dos mandatos.

O orçamento apresentado por Joe Biden em 09 de abril prevê cerca de dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) para operações da ONU, das quais um pagamento inicial de 300 milhões de dólares para acertar dívidas dos EUA à ONU, que nos últimos anos se acumularam em mais de mil milhões de dólares.

Para os norte-americanos Peter Yeo, vice-presidente da Fundação da ONU, e Reuben Brigety, antigo embaixador dos EUA na União Africana, trata-se da credibilidade e da liderança dos Estados Unidos na cena internacional, que ficou degradada nos últimos quatro anos com a presidência de Donald Trump e está a ser reconstruída com a presidência de Joe Biden.

No entanto, para a ONU, interessa também a grande contribuição monetária dos EUA para operações de paz e sem a qual, disse a representante junto da União Africana (UA) Hanna Tetteh, a pressão é demasiado elevada para tropas locais em África.

"Quando não temos recursos para financiar o destacamento e rotação de tropas, coloca muita pressão em militares (...) que não veem o prospeto de poder sair dentro do tempo indicado", considerou Hanna Tetteh.

Segundo a representante, as Nações Unidas têm seis missões de paz no continente africano, envolvendo cerca de 49 mil membros armados e de uniforme, aproximadamente oito mil civis e um orçamento total de 4,556 mil milhões de dólares (3,802 mil milhões de euros).

As missões da ONU de manutenção de paz estão localizadas em Abyei, Mali, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Saara Ocidental e Sudão do Sul.

A representante da ONU junto da União Africana acrescentou que o contributo dos Estados Unidos é importante para o sucesso das operações e para assegurar que podem executar os mandatos.

Peter Yeo disse que existem vários benefícios do pagamento dos EUA à ONU, destacando a credibilidade do país, o poder de alavancar negociações e conversações diplomáticas e o potencial para cooperação multilateral.

Reuben Brigety defendeu que os EUA precisam de "reconstruir um consenso responsável de governação" e de chegar a um acordo bipartidário (entre partido Republicano e Democrata) sobre a liderança dos EUA a nível internacional e intervenções em outros países.

O antigo embaixador e académico sublinhou a necessidade de "avançar os interesses americanos, em cooperação com o resto do mundo".

O antigo Presidente norte-americano Donald Trump, do partido Republicano, era criticado pelo isolacionismo que defendia e era acusado de ser pouco cooperante com outros países, tendo retirado os EUA dos Acordos de Paris sobre o clima ou da organização Mundial da Saúde.

Joe Biden, do partido Democrata, venceu as eleições de novembro contra um segundo mandato de Trump e subiu ao poder em janeiro, revertendo imediatamente várias decisões do antecessor e com o objetivo de reforçar a liderança dos EUA.

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