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Os l√≠deres ind√≠genas da bacia amaz√≥nica (Brasil, Peru, Col√īmbia, Venezuela, Bol√≠via, Equador, Guiana e Suriname) exigiram hoje aos Governos dos seus pa√≠ses garantias √† vida dos membros das comunidades nativas ap√≥s mais de 600 assass√≠nios desde 2014.


"Que exista um plano de vida para a Amaz√≥nia. N√£o h√° um plano de vida para a Amaz√≥nia, que haja um plano de a√ß√£o urgente para defender a vida dos nossos irm√£os e irm√£s", disse o coordenador geral das Organiza√ß√Ķes Ind√≠genas da Bacia Amaz√≥nica, Jos√© Gregorio D√≠az Mirabal, em confer√™ncia de imprensa.

Mirabal indicou que o apelo √© dirigido √† Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas (ONU), √† Organiza√ß√£o dos Estados Americanos (OEA), √† Corte [Tribunal] Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), mas "sobretudo" aos Governos dos seus pa√≠ses.

O coordenador garantiu que desde 2014, até este ano, contabilizam-se "mais de 630 irmãos assassinados".

"Claro que n√£o v√£o obter dados em nenhum pa√≠s, n√£o v√£o conseguir dados em nenhum Minist√©rio da Sa√ļde, Educa√ß√£o, Justi√ßa, por isso fazemos um chamamento a todas as institui√ß√Ķes globais que t√™m de defender os nossos direitos", afirmou.

José Gregorio Díaz Mirabal ressaltou que, até ao momento, não existe um mecanismo "verdadeiro" e "eficaz" que lhes permita defender os seus direitos.

Por sua vez, o presidente da Organiza√ß√£o Regional Aidesep Ucayali, do povo Ashaninka do Peru, Jiribati Ashaninka, indicou que, desde 2013, nove lideran√ßas ind√≠genas foram assassinadas e especificou que os dois √ļltimos assass√≠nios ocorreram porque estavam a defender os seus territ√≥rios.

Jiribati afirmou que ele próprio recebeu ameaças de morte, embora não tenha especificado por parte de quem.

"Precisamos que se investiguem todos os casos de homic√≠dio na Amaz√≥nia que ficaram impunes, (...) precisamos, urgentemente, de um plano de titula√ß√£o dos nossos territ√≥rios", acrescentou, destacando a import√Ęncia de respeitar as leis de origem.

O coordenador de direitos humanos da Organização dos Povos Indígenas da Amazónia Colombiana, Oscar Daza, também denunciou que no seu país ocorreram, desde o início do ano, 46 assassínios, dos quais 16 são indígenas.

"√Č uma situa√ß√£o grave (...). N√£o podemos continuar sendo v√≠timas de quem deseja ativar ou promover o narcotr√°fico", disse Daza, destacando que o Estado colombiano n√£o est√° a dar garantias aos povos ind√≠genas.

Os líderes destacaram que as suas comunidades são afetadas pelo narcotráfico, desflorestação, presença de militares "regulares e irregulares", mineração ilegal e pela pandemia de covid-19.

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